A Embraer e a fabricante sueca Saab assinaram, nesta terça-feira (21), acordo para produzir mais 20 caças Gripen no complexo industrial de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
As aeronaves serão montadas para complementar a linha de produção sueca e atender à demanda global pelo caça, hoje operado pela Força Aérea Brasileira.
Segundo a Embraer, a unidade de Gavião Peixoto ficará responsável pela montagem dos novos caças dentro de um modelo de produção integrado com a fábrica da Saab, em Linköping, na Suécia. O acordo amplia a capacidade de fabricação do Gripen, hoje utilizado pela Força Aérea Brasileira, e consolida uma parceria iniciada há uma década.
O presidente e CEO da Saab, Micael Johansson, afirmou que o acordo fortalece a presença da empresa na América Latina e amplia a capacidade para atender futuras oportunidades de negócio. Já o presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior, disse que a ampliação reforça o papel estratégico da fabricante brasileira no programa Gripen e prepara a empresa para a expansão da produção em novos mercados.
Um dos polos aeroespaciais mais avançados do país
O complexo industrial de Gavião Peixoto reúne atividades de fabricação, montagem e testes de aeronaves e é considerado um dos principais polos aeroespaciais do Brasil. Segundo as empresas, a produção dos novos caças deve fortalecer a cadeia de fornecedores nacionais e abrir novas oportunidades para a indústria aeroespacial de alta tecnologia.
No mesmo dia do anúncio dos novos Gripen, a Embraer Defesa & Segurança também fechou parceria com a americana Anduril para integrar um míssil de cruzeiro ao cargueiro militar C-390, reforçando a agenda de defesa da fabricante em uma única semana.
O caça Gripen pode atingir velocidades de até 2,4 mil km/h, cerca de duas vezes a velocidade do som, e tem autonomia de duas horas e meia de voo, ampliada pela capacidade de reabastecimento em pleno ar. Em fevereiro deste ano, a aeronave foi colocada pela primeira vez em alerta de defesa aérea no país, passando a integrar a proteção do espaço aéreo da capital federal.
A apresentação do primeiro modelo montado em território nacional é vista como um marco para o programa, que coloca o Brasil entre os poucos países com domínio sobre etapas estratégicas de produção de caças de alta tecnologia.
A expansão do Gripen também acompanha um momento de força da fabricante brasileira: a Embraer fechou o segundo trimestre de 2026 com carteira de pedidos recorde de US$ 34,5 bilhões, impulsionada em parte pelos contratos ligados à área de defesa.