Política

Milei desembarca no Brasil para impulsionar candidatura de Flávio Bolsonaro

Apoio inédito de chefe de Estado estrangeiro chega em meio a escândalos e queda nas pesquisas
Javier Milei apoia Flávio Bolsonaro presidência do Brasil durante visita oficial ao país

O presidente argentino Javier Milei chega nesta sexta-feira (24) ao Brasil para participar, em Brasília, da convenção que oficializa a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro.

É a primeira vez que um chefe de Estado estrangeiro comparece ao evento de lançamento de uma candidatura no país, um gesto que injeta ânimo numa campanha marcada por escândalos e pela queda nas pesquisas frente a Lula.

Escândalos e queda nas pesquisas

A visita chega num momento de desgaste para a campanha. Em maio, Bolsonaro confirmou que um banqueiro depois preso por fraude e suborno bancou a produção de um filme sobre a trajetória política do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesta semana, a Polícia Federal recebeu autorização para investigar o financiamento.

Levantamento do instituto Quaest mostra Bolsonaro com oito pontos de desvantagem para Lula num eventual segundo turno — em abril, tinha vantagem técnica. “A campanha de Flávio enfrenta um desgaste interno”, avalia o analista político Rafael Favetti.

A imagem do senador também foi afetada por um desentendimento público com a madrasta, Michelle Bolsonaro, que ameaçou seu apoio entre eleitoras, e pelas novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, que expuseram os limites da influência da família junto ao presidente Donald Trump.

A viagem de Milei já era esperada: o presidente argentino havia confirmado a passagem pelo Brasil duas semanas antes, planejando também visitar Jair Bolsonaro na prisão domiciliar antes de seguir para as posses de Keiko Fujimori, no Peru, e Abelardo de la Espriella, na Colômbia. Porém, o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido da defesa para que Milei visitasse o ex-presidente, e o encontro na prisão não deve ocorrer.

Onda conservadora na região

O apoio a Bolsonaro reforça a aposta de Milei em ampliar a onda de vitórias da direita na América Latina, iniciada com sua própria eleição em 2023. Depois do Brasil, ele viaja ao Peru para a posse de Keiko Fujimori, em 28 de julho, ao Equador para reuniões com o presidente Daniel Noboa e à Colômbia para a posse de Abelardo de la Espriella, em 7 de agosto.

Relatório do JPMorgan a clientes aponta que a região tem sido tomada por uma agenda comum de “ordem em primeiro lugar, mercados em segundo e uma relação mais próxima com Washington” — receita que Bolsonaro tenta replicar no Brasil.

Agenda de segurança e economia

Na segurança pública, o senador propõe reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos e construir presídios de segurança máxima, citando o modelo do presidente salvadorenho Nayib Bukele. Na economia, defende cortes de impostos e privatizações, além de criticar Lula pela inflação de alimentos.

Em dezembro, após o pai declarar apoio à sua candidatura em detrimento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, Bolsonaro tentou se posicionar como uma versão mais moderada da família, dizendo à Reuters se considerar “um Bolsonaro mais ao centro”. Apesar disso, analistas ainda projetam um segundo turno acirrado com Lula em outubro. “Essas eleições dependem de Lula escorregar numa casca de banana”, resume Favetti.

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