As exportações brasileiras de carne bovina somaram US$ 9,929 bilhões entre janeiro e junho de 2026, alta de 33,4% sobre o mesmo período do ano passado — o melhor resultado da série histórica para um primeiro semestre, segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).
O volume embarcado chegou a 1,811 milhão de toneladas, avanço de 7,3%, impulsionado principalmente pela demanda chinesa, que cresceu 50,3% em valor no período.
A entidade, porém, alertou nesta segunda-feira (20) que o segundo semestre será mais difícil: os embarques para a China já foram interrompidos em julho após o Brasil esgotar a cota de importação, e a União Europeia ameaça suspender as compras a partir de 3 de setembro.
Cota da China trava embarques desde julho
Os embarques para a China foram interrompidos em julho porque os volumes exportados acima da cota são sobretaxados em 55%. O país foi o principal comprador da carne bovina brasileira no primeiro semestre: as vendas cresceram 50,3% em valor, para US$ 4,818 bilhões, e 22,6% em volume, para 774,7 mil toneladas, respondendo por 48,5% das receitas totais com carnes e subprodutos bovinos — participação que chega a 53% quando considerada apenas a carne in natura.
O aperto já era esperado: no início de julho, frigoríficos já haviam cortado abates depois que o Brasil usou 98,5% da cota de exportação de carne bovina à China no primeiro semestre. Com o mercado chinês fechado, a Abrafrigo projeta uma redução de cerca de US$ 4 bilhões nas vendas ao país em 2026 frente aos US$ 8,845 bilhões registrados em 2025.
Segundo a entidade, parte dessa perda pode ser recuperada se os embarques forem retomados nos dois últimos meses do ano, com as cargas chegando aos portos chineses apenas em janeiro de 2027 — já dentro da nova cota anual.
UE pode suspender compras em setembro
O bloco europeu exige que o Brasil comprove que não utiliza antimicrobianos para promover crescimento em animais. As compras europeias de carne e subprodutos bovinos brasileiros cresceram 35,26% no primeiro semestre, para US$ 482,65 milhões, mas o avanço pode ser interrompido: a partir de 3 de setembro, a exportação para o bloco pode ser suspensa caso o Brasil não comprove a adequação às novas exigências sanitárias.
A Abiec já alertou que a adequação às exigências europeias sobre antimicrobianos pode levar até dois anos, prazo que deixa o setor sem margem para reverter o embargo antes do prazo. Para tentar evitar a suspensão, o Ministério da Agricultura já editou novas regras de rastreabilidade e criou um protocolo de certificação voluntária para bovinos livres de antimicrobianos, mas as negociações com as autoridades sanitárias europeias ainda não têm resultado concreto.
Diversificação de mercados amortece impacto
Para compensar as incertezas com China e UE, o setor tem ampliado vendas a outros destinos. Os Estados Unidos, que mantiveram a carne bovina fora das novas tarifas aplicadas a produtos brasileiros, compraram 41% a mais em valor (US$ 1,116 bilhão) e 17,3% a mais em volume (183,6 mil toneladas) de carne in natura. O Chile, terceiro maior destino do produto in natura, elevou as compras em 33,12%, para US$ 419,6 milhões. No total, 118 países aumentaram as importações de carne bovina brasileira no semestre, ante 55 que reduziram.
