A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmou nesta semana que a inteligência artificial ainda não provocou queda generalizada de empregos entre os 38 países-membros da entidade, onde a taxa de desemprego segue próxima da mínima histórica.
O relatório de perspectivas de emprego 2026 da organização, porém, aponta que os jovens enfrentam dificuldade crescente para entrar no mercado de trabalho — cenário que os avanços recentes da IA generativa provavelmente ajudam a explicar.
Trabalho se transforma, mas não desaparece
Segundo o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, “até o momento, não há indícios de que o maior uso da inteligência artificial por parte das empresas esteja provocando uma queda generalizada da demanda por mão de obra”. Para ele, a tecnologia está mudando as competências exigidas pelas empresas, mas ainda não piora as perspectivas de emprego nem para jovens nem para trabalhadores em geral.
“A IA está transformando o trabalho, mais do que reduzindo-o”, resumiu Cormann. O diagnóstico da OCDE aparece também na prática: a Meta cortou cerca de 8 mil vagas neste ano ao mesmo tempo em que realocou milhares de funcionários para treinar seus próprios sistemas de IA, movimento que ilustra a mudança de funções em vez do simples desaparecimento de postos de trabalho.
Salários atrasados e mercado resiliente
Em quase um terço dos países da OCDE, os salários reais “continuam sendo inferiores aos registrados há cinco anos”, afirmou Cormann. O secretário-geral reconheceu que, apesar do cenário positivo no emprego, muitos trabalhadores ainda não sentem os benefícios de um mercado dinâmico, sobretudo na remuneração.
O relatório também mostra que o mercado de trabalho resistiu à guerra no Oriente Médio, que provocou forte alta nos preços de energia — embora as vagas tenham se estabilizado desde a escalada do conflito. Nos Estados Unidos, uma coalizão bipartidária já reservou mais de US$ 500 milhões para requalificar trabalhadores diante do avanço da IA, iniciativa que dialoga diretamente com o alerta da OCDE sobre a dificuldade de entrada dos jovens no mercado de trabalho.
