Economia

MP do piso mínimo do frete perde prazo sem votação no Senado

Caminhoneiros cobram Alcolumbre enquanto setor produtivo teme aumento nos custos do transporte de cargas
Alcolumbre discursa no Senado enquanto caminhoneiros protestam pelo piso mínimo do frete no Senado

A medida provisória que reforça o piso mínimo do frete rodoviário está perto de perder a validade sem votação no Senado. O texto, aprovado pela Câmara dos Deputados em junho, precisa ser confirmado até 16 de julho, prazo máximo para medidas provisórias.

Caminhoneiros pressionam o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, para pautar a votação, enquanto o setor produtivo resiste às mudanças propostas no texto.

A MP reforça a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, criada em 2018, e torna o piso obrigatório: o frete deverá refletir os custos operacionais reais do transporte, e quem pagar valor abaixo do mínimo estará sujeito a sanções. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ficará encarregada de atualizar os valores sempre que houver variação relevante no preço do combustível.

Escalonamento de multas e rastreio via Ciot

O relatório aprovado na Câmara prevê um escalonamento de penalidades para contratos de frete fechados abaixo do piso legal. O texto também torna obrigatório o registro de toda operação por meio do Ciot (Código Identificador da Operação de Transporte), que deve reunir dados do contratante, do transportador, o valor combinado e as condições de pagamento — medida que amplia a rastreabilidade do setor.

A MP chegou ao Senado depois de a Câmara aprová-la em junho, quando o relator Zé Trovão inseriu via jabuti a anistia às multas aplicadas a caminhoneiros pelos bloqueios de estradas em 2022. A medida perdoa sanções ligadas aos protestos que ocorreram no contexto da tentativa de golpe articulada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na quarta-feira (8), técnicos do gabinete de Davi Alcolumbre se reuniram com lideranças de caminhoneiros e admitiram não haver acordo entre os senadores para levar o texto ao plenário antes do prazo final.

O impasse divide opiniões. Para os caminhoneiros, a MP amplia a proteção contra o pagamento de fretes abaixo do custo real da operação. O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, argumenta ainda que o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã encarece o combustível e reforça a necessidade de um piso atualizado para o transporte de cargas.

Já o setor produtivo — indústrias, produtores rurais e comércio que contratam frete — pressiona por mudanças no texto. Entidades como o Instituto Livre Mercado e o Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes) alertam que o novo piso pode encarecer toda a cadeia logística.

“No fundo, isso encarece artificialmente toda a cadeia. Se favorece um grupo econômico em detrimento de outro e isso encarece o custo pro consumidor”, afirma o presidente do Conselho de Administração do Sindicom, David Zylbersztajn. Pequenas e médias transportadoras que subcontratam autônomos também temem ter contratos comerciais reinterpretados como “preço irregular”, perdendo competitividade no setor.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Marinha dos EUA anuncia novo bloqueio no Estreito de Ormuz para terça

Escassez de chips derruba vendas globais de smartphones a menor nível em 13 anos

Ministério notifica Apple e Google por apps de apostas irregulares

Lula acusa Trump de ‘pirataria’ por taxar 20% no Estreito de Ormuz