O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta segunda-feira (13) por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar desde novembro.
A defesa do ex-presidente tem agora 48 horas para informar se ele sabia que uma carta escrita por ele seria divulgada nas redes sociais pelo filho, pré-candidato à Presidência em 2026.
Para Moraes, Flávio usou a visita só para obter o documento e publicá-lo, driblando a proibição imposta ao pai.
Carta usada para burlar proibição
Na decisão, Moraes afirmou que Flávio Bolsonaro descumpriu decisão judicial que proíbe postagens em redes sociais relacionadas ao pai, o que caracteriza desvio de finalidade do direito de visita. Com a medida, os dois só poderão se encontrar novamente em meados de outubro — depois do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro.
O ministro, relator da execução da pena de Bolsonaro, também determinou o envio de cópias da decisão e dos vídeos ao Procurador-Geral Eleitoral, para adoção das medidas cabíveis. Segundo Moraes, houve reincidência: conduta semelhante já havia ocorrido em agosto de 2025 e foi o que motivou, na época, a decretação da prisão domiciliar de Bolsonaro. A suspensão das visitas repete um padrão recente de Moraes, que dez dias antes já havia imposto prazo de 48 horas a Bolsonaro em outro episódio, o da entrega de armas registradas em seu nome.
A carta havia sido lida por Flávio dias antes, em apoio à própria pré-candidatura à Presidência. Na ocasião, Bolsonaro chamou o filho de “porta-voz” e “melhor opção” para o Brasil.
Repercussão e crise na família Bolsonaro
A divulgação da carta provocou reação imediata da oposição e de parte dos aliados de Bolsonaro. Dias antes, a mesma carta já havia levado o PT a pedir ao STF a revogação da domiciliar de Bolsonaro, horas depois de Flávio lê-la em transmissão ao vivo.
O episódio ocorreu em meio a uma crise pessoal entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que trocaram acusações públicas nas redes sociais pouco antes da leitura da carta. Em meio ao desgaste, Michelle deixou a presidência do PL Mulher, em acerto costurado com o presidente nacional do partido.
Bolsonaro cumpre desde novembro pena de 27 anos e três meses de prisão, por ser considerado líder de organização criminosa que tentou um golpe de estado para mantê-lo no poder após a derrota nas eleições de 2022.
