Os preços do petróleo saltavam mais de 3% nesta segunda-feira (13), depois que o Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz em resposta a uma nova onda de ataques dos Estados Unidos no fim de semana.
A rota concentra cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, e sua interrupção acende o alerta para um possível choque no abastecimento global de energia.
Ataques miram bases dos EUA em três países
Segundo a Guarda Revolucionária do Irã, forças iranianas atingiram bases militares americanas no Barein e no Kuweit, além de alvos na Jordânia e em Omã. Em resposta, as Forças Armadas dos EUA afirmaram ter destruído sistemas de defesa aérea, radares, mísseis, drones e embarcações iranianas.
A escalada deste fim de semana repete o padrão observado em 8 e 9 de julho, quando os EUA atacaram cerca de 90 alvos na costa iraniana e o Brent chegou a US$ 78,90. O novo confronto reacendeu a dúvida sobre o acordo provisório firmado entre Washington e Teerã no mês passado, que previa a reabertura do estreito e a redução das tensões.
Trump dá acordo por encerrado, Irã endurece discurso
Em entrevista à Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse considerar o cessar-fogo encerrado, mas afirmou ainda haver espaço para negociações. O rompimento já vinha sendo sinalizado desde 8 de julho, quando ele declarou em Ancara que o acordo de paz com o Irã havia terminado, o que já havia provocado alta de mais de 5% no petróleo.
Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, publicou na rede X que “a era dos acordos unilaterais acabou” e cobrou que os EUA cumpram os compromissos assumidos.
A aversão ao risco se espalhou pelos mercados financeiros. Investidores migraram para o dólar, considerado ativo mais seguro, enquanto as bolsas asiáticas fecharam sem direção única: Xangai caiu 2,06%, ao menor nível em três meses, e o Nikkei recuou 1,92%, enquanto o Hang Seng subiu 0,16%.
Em comunicado, a Guarda Revolucionária afirmou que o tráfego normal de navios pelo Estreito de Ormuz só será restabelecido quando os EUA encerrarem as operações militares na região, e alertou que novos confrontos podem ter impacto ainda maior sobre o mercado global de petróleo e gás. Teerã disse ainda negociar com Omã um mecanismo para administrar a passagem de embarcações, mas que a pressão americana tem dificultado as conversas.
O cenário é bem diferente do vivido há um mês, quando o acordo provisório havia sido celebrado com euforia pelos mercados, com o Brent recuando a US$ 83,25 o barril. Agora, a preocupação volta a ser o encarecimento dos combustíveis e da inflação em diversos países caso o conflito se prolongue.
