Mais de 200 economistas e pesquisadores, incluindo 15 ganhadores do Prêmio Nobel e cientistas da OpenAI, da Anthropic e do Google, divulgaram nesta segunda-feira (13) uma declaração conjunta.
O documento pede que governos e líderes do setor de tecnologia criem, com urgência, políticas e instituições para lidar com o impacto econômico da inteligência artificial no mundo do trabalho.
Para o grupo, a IA pode gerar uma transformação econômica maior que a Revolução Industrial, mas em prazo muito mais curto, com risco de perda de empregos em larga escala.
Quem assina o alerta
A declaração foi organizada por Anton Korinek, que integra a equipe de pesquisa econômica da Anthropic desde março, ao lado dos economistas Erik Brynjolfsson, Ajay Agrawal e Tom Cunningham. Entre os signatários estão a diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar; o cientista-chefe do Google DeepMind, Jeff Dean; e o cofundador da Anthropic, Jack Clark.
Também assinam o documento os ganhadores do Prêmio Nobel Michael Spence, Daron Acemoglu e Simon Johnson, além de outros pesquisadores ligados a universidades e centros de estudos econômicos.
O texto defende que pesquisas mais aprofundadas sobre os efeitos da IA na economia comecem imediatamente, ao lado da elaboração de políticas e instituições capazes de amparar trabalhadores e empresas durante a transição.
Para os signatários, o cenário atual exige ação preventiva: “Não podemos improvisar nossa estratégia e nossas instituições no meio da transformação; esperar pela certeza significa chegar tarde demais”, afirma a declaração.
Um alerta que não é isolado
O apelo dos economistas ecoa um alerta feito duas semanas antes por um painel científico da ONU, que já apontava que poucos governos têm capacidade técnica para acompanhar e regular os modelos mais avançados de IA.
Nos Estados Unidos, uma coalizão bipartidária já saiu na frente: reservou mais de US$ 500 milhões para requalificar trabalhadores diante de estimativas de até 25 milhões de empregos ameaçados pela automação.
O tom de urgência da declaração, porém, contrasta com o diagnóstico mais recente da OCDE: o organismo ainda não identifica queda generalizada de empregos nos países ricos, embora reconheça dificuldade crescente dos jovens para entrar no mercado de trabalho.
