Política

Mensagens mostram Cunha comandando troca de emendas em Minas Gerais

PF diz que ex-deputado sem mandato indicava verbas por interposta pessoa em cidades mineiras
Eduardo Cunha ao lado do brasão da Polícia Federal, ilustrando mensagens Eduardo Cunha emendas parlamentares em Minas Gerais

A Polícia Federal identificou uma troca de mensagens entre o ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG) e a servidora da Câmara Mariângela Fialek, a “Tuca”, que mostra como a indicação de emendas parlamentares foi manipulada para beneficiar um político sem mandato.

Com base nos diálogos, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou neste domingo (12) o bloqueio de R$ 6 milhões dos bens de Cunha, suspeito de comandar o direcionamento de verbas para prefeituras de Minas Gerais.

Cunha nega irregularidades e diz que não foi ouvido antes da decisão. A defesa de Mariângela afirma que a atuação da servidora foi técnica e apartidária.

Diálogos expõem insatisfação com “mineiros”

As mensagens mostram Cunha reclamando da relação com o estado que tentou transformar em novo palanque eleitoral. “Boa tarde, desculpa mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício etc. É mais fácil trocar”, escreveu o ex-deputado à servidora.

Em outro trecho, Cunha demonstra preocupação com a titularidade de uma emenda destinada a Manhuaçu, que passou a ser associada ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Ele pediu a Tuca um ofício do deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG) atestando que a verba era de autoria do seu grupo político, a pedido do deputado estadual João Magalhães. “Cidade pequena é uma guerra”, resumiu.

A PF também relatou trocas envolvendo o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), autor de uma emenda de R$ 200 mil para Minas, e problemas de limite orçamentário em Matias Barbosa, que levaram à redistribuição de valores para os municípios de Pedrinópolis e Varjão de Minas.

Segundo a corporação, o comportamento de Cunha demonstra ingerência direta sobre a destinação das verbas, mesmo sem exercer mandato parlamentar. A PF já havia apontado que a Presidência da Câmara dava “pleno aval” para que Tuca operacionalizasse os repasses em favor do ex-deputado.

Defesas contestam bloqueio e PGR considerou medida prematura

A defesa de Eduardo Cunha diz ter sido surpreendida pela decisão, divulgada neste domingo (12), e afirma que não foi intimada, ouvida ou chamada a se manifestar antes do bloqueio. Segundo os advogados, Cunha não tem mandato e por isso não apresentou nem subscreveu nenhuma das emendas citadas pela PF, já que a competência sobre o processo orçamentário é exclusiva de parlamentares, bancadas e órgãos legitimados. A defesa também destaca que a própria PGR considerou prematuro o bloqueio das contas do ex-deputado e que buscará acesso integral à investigação.

Já a defesa de Mariângela Fialek reforça que sua atuação na organização técnica do orçamento era apartidária e impessoal, seguindo regras definidas pela Presidência da Câmara e pelo Colégio de Líderes. Advogada formada pela PUC/RS e mestre em Direito do Estado pela USP, ela soma quase três décadas de trânsito por gabinetes técnicos, tendo passado pela Casa Civil no governo Lula, pela Subchefia de Assuntos Parlamentares no governo Temer e pelo Ministério do Desenvolvimento Regional no governo Bolsonaro, além de dez anos de assessoria jurídica no Senado.

O episódio é o segundo bloqueio bilionário decretado por Dino a partir da mesma linha de investigação: dias antes, o ministro já havia congelado R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto por suspeita semelhante de desvio de emendas, caso em que a própria Tuca já havia sido apontada como operadora do esquema.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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