Economia

Prato feito fica mais caro mesmo com alívio na inflação

Preço médio da refeição chega a R$ 31,90 em junho, alta de 7,2% no ano, aponta levantamento da FAC-SP
Prato feito mais caro: refeição brasileira com arroz, feijão e carne reflete alta no preço dos alimentos

O preço médio do prato feito chegou a R$ 31,90 em junho, alta de 5,4% em relação a março e de 7,2% frente a janeiro, segundo o Índice Prato Feito (IPF), elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio (FAC-SP).

O avanço ocorre mesmo com a desaceleração da inflação dos alimentos: o IBGE informou nesta sexta-feira (10) que o grupo Alimentação e Bebidas caiu 0,24% em junho, ajudando o IPCA a subir apenas 0,16% no período.

Apesar da folga nos preços de mercado, comer fora de casa ficou 0,15% mais caro em junho, pressionando o bolso de quem depende da refeição para trabalhar.

Por que o prato feito continua subindo

Um trabalhador que almoça fora durante os 20 dias úteis do mês gasta cerca de R$ 638 só com essa refeição — valor que não inclui café da manhã, lanches ou jantar. O cálculo ajuda a dimensionar o peso do Índice Prato Feito no orçamento de quem não cozinha em casa.

O preço da refeição também varia de forma significativa entre regiões do país: os dados mostram que um trabalhador pode pagar até 16% a mais pelo mesmo tipo de prato, dependendo de onde mora.

Custos que vão além do alimento

Para economistas ouvidos no levantamento, o preço do prato feito reflete uma estrutura de custos muito mais ampla do que o valor dos ingredientes. Aluguel, energia elétrica, água, gás, salários, transporte e juros seguem pressionando os restaurantes, mesmo quando alguns alimentos ficam mais baratos.

Por isso, quando a refeição fica mais cara, o reajuste tende a refletir essa pressão de custos como um todo — e nem sempre significa mais lucro para os estabelecimentos, que muitas vezes apenas repassam parte da alta enfrentada. O mesmo cenário de acomodação de preços já havia aparecido no fechamento oficial do IPCA de junho, quando o IBGE confirmou que o grupo Alimentação e Bebidas caiu 0,24% e ajudou a segurar o índice em 0,16% no mês, enquanto Habitação seguiu pressionando por outro lado.

El Niño pode pressionar preços agrícolas

Mesmo com a desaceleração da inflação de alimentos em junho, especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que um eventual fortalecimento do El Niño pode reduzir a oferta de produtos agrícolas e provocar novos aumentos de preços nos próximos meses.

Entre os itens mais sensíveis ao fenômeno estão batata, cebola, tomate, cenoura, maçã e uva. O milho também pode ser afetado, o que tende a encarecer a ração usada na criação de animais e, por consequência, o preço das carnes.

Para os economistas, ainda é cedo para medir a intensidade desses efeitos, mas o fenômeno já é acompanhado de perto pelo potencial de impactar a produção agrícola. O movimento contrasta com o cenário internacional, onde o Índice de Preços dos Alimentos da FAO caiu pelo segundo mês consecutivo em junho, puxado por açúcar e cereais.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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