O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (8), uma medida provisória que abre linha de crédito de R$ 15 bilhões para exportadores brasileiros prejudicados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos e pela guerra no Oriente Médio.
O texto segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O financiamento integra o Plano Brasil Soberano e abrange empresas dos setores industrial, agropecuário, minerário, florestal, pesqueiro e de aquicultura.
O crédito poderá ser usado para cobrir custos operacionais cotidianos — como folha de pagamento e aquisição de insumos — além de compra de máquinas e equipamentos e investimento em tecnologia.
Segundo o governo, os critérios de seleção dos beneficiários priorizaram indústrias de maior intensidade tecnológica e com relevância estratégica para o país. Também foram contempladas empresas diretamente afetadas pelas medidas tarifárias dos EUA e pela guerra entre os Estados Unidos e o Irã.
A análise ainda levou em conta a relevância dos setores para o comércio exterior brasileiro, com destaque para cadeias estratégicas e aquelas com vulnerabilidade externa, incluindo segmentos com déficit na balança comercial.
Com 4,1 mil produtos e US$ 14,9 bilhões em exportações anuais na linha de fogo — conforme levantamento da CNI divulgado na segunda-feira —, o governo já admitia que o prazo para conter o impacto das tarifas americanas estava se esgotando.
Setores contemplados e lógica da seleção
A linha de financiamento atende exportadores de bens industriais, produtos agropecuários e recursos minerais. O escopo inclui ainda produtos oriundos de florestas plantadas, da pesca e da aquicultura — segmentos que integram parcela relevante da pauta exportadora nacional.
O foco em indústrias de alta intensidade tecnológica e em setores com déficit na balança comercial sinaliza uma preocupação do governo com a competitividade estrutural, não apenas com o alívio imediato de caixa das empresas.
A celeridade na aprovação pelo Senado reflete o consenso legislativo em torno da necessidade de resposta à guerra comercial desencadeada pelas tarifas de Trump — que pressiona uma fatia significativa das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano.
