O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou nesta terça-feira (30) que a abertura da Ponte da Integração Brasil-Paraguai exigiu um esforço “ainda mais difícil” do que a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
A declaração foi feita durante a Cúpula do Mercosul, em Assunção, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos demais chefes de Estado do bloco — com exceção do argentino Javier Milei.
A ponte liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Presidente Franco, no Paraguai, e funciona parcialmente desde dezembro de 2025.
A comparação com Ormuz
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. O canal ficou com a navegação comprometida após ataques militares na região em fevereiro, elevando a tensão no mercado internacional de energia. Nas últimas semanas, Irã e Estados Unidos firmaram um acordo preliminar para reduzir as hostilidades. Especialistas, porém, já alertavam que reabrir Ormuz seria um processo lento e cheio de obstáculos — o que dá peso à comparação feita pelo presidente paraguaio.
Ponte inaugurada, mas com restrições
A Ponte da Integração Jaime Lerner foi inaugurada em dezembro de 2025 pelo presidente Lula, tornando-se a segunda ligação viária entre Brasil e Paraguai na região, mais de 60 anos após a Ponte da Amizade. Atualmente, apenas caminhões têm autorização para cruzá-la.
A próxima fase está prevista para 3 de agosto, quando serão ampliados os horários para caminhões vazios e ônibus de turismo, além da liberação do transporte coletivo para moradores da fronteira.
Ao comentar a integração regional durante a cúpula, Peña disse que o sucesso de obras de infraestrutura deve ser medido pelo impacto na vida da população.
As discussões sobre a construção da ponte remontam aos anos 1990. O projeto ganhou forma em 2005, com um acordo internacional que definiu o traçado e atribuiu ao Brasil a responsabilidade técnica e financeira. As obras tiveram início em agosto de 2019, com previsão de conclusão para fevereiro de 2022.
A estrutura chegou a ser entregue ao fim do governo Jair Bolsonaro, mas permaneceu fechada por entraves operacionais. Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), os atrasos ocorreram sobretudo no lado paraguaio, devido a dificuldades na infraestrutura de fiscalização aduaneira. As obras físicas só foram concluídas em outubro de 2023.
A Itaipu Binacional atua como agente financiador do projeto. A expectativa é que a nova travessia alivie o tráfego da Ponte da Amizade, considerada uma das fronteiras terrestres mais movimentadas do país — com cerca de 100 mil pessoas e 45 mil veículos por dia.
No dia seguinte ao anúncio do acordo entre Irã e EUA, navios voltaram a circular por Ormuz, mas a reabertura seguia marcada por contradições diplomáticas — o mesmo tipo de processo gradual que caracterizou a abertura da ponte no Paraná.
