A Comissão Europeia anunciou nesta terça-feira (30) um novo regime de importação de aço: o volume que entra no bloco sem pagar tarifa cai 47%, para 18,3 milhões de toneladas por ano, e qualquer excedente passa a ser taxado em 50%.
As medidas entram em vigor hoje, substituindo as salvaguardas criadas durante o primeiro mandato de Donald Trump, que aplicavam 25% sobre os embarques acima da cota.
O objetivo declarado é elevar a ocupação das usinas europeias — hoje em apenas 65% da capacidade — para 80%.
Pelas novas regras, a tarifa de 50% sobre o excedente vale para 26 categorias de produtos siderúrgicos. Metade das cotas foi reservada a países com acordos de livre comércio com a União Europeia; a outra metade fica disponível para todos os parceiros comerciais.
A Comissão detalhou que muitos países terão cotas específicas, calculadas com base no histórico de exportações para o mercado europeu. Com isso, a maioria dos parceiros com livre comércio enfrentará uma redução no acesso inferior ao corte médio de 47%.
Um “número significativo” de parceiros já aceitou provisoriamente a divisão das cotas, segundo o órgão.
Quem mais exporta aço para a Europa
Em 2025, as principais origens das importações siderúrgicas europeias foram Turquia, Coreia do Sul, Indonésia, China, Índia, Ucrânia e Taiwan. Para conter essa pressão, Bruxelas opera em várias frentes: a Comissão também propôs uma taxa de 15% sobre exportações europeias de sucata de alumínio — a primeira cobrança sobre saída de mercadorias na história do bloco —, em uma ofensiva para blindar toda a cadeia de metais europeia. Saiba mais sobre a taxa europeia para sucata de alumínio.
Para a Comissão, as novas regras buscam restabelecer “condições mais equilibradas de concorrência” no mercado europeu diante da sobreoferta global de aço.
Crise no setor e impacto nos empregos
A indústria siderúrgica europeia perdeu cerca de 100 mil empregos desde 2008. Sem a manutenção das restrições às importações, a Comissão avalia que a produção interna continuará em queda.
O novo regime substitui as salvaguardas que vigoraram até hoje — criadas durante o primeiro mandato de Trump, que agora, de volta à Casa Branca, segue calibrando suas próprias tarifas sobre aço e alumínio via Seção 232, moldando os fluxos globais que pressionam o mercado europeu. Veja como Trump ajustou as tarifas americanas sobre aço e alumínio.
A escalada protecionista dos dois blocos amplia a pressão sobre economias exportadoras de aço, incluindo países do Mercosul, que buscam ampliar seu acesso preferencial ao mercado europeu no âmbito das negociações do acordo Mercosul-UE.