Política

Gilmar diz que críticas a Mendonça não dividem STF no caso Master

Uma semana após chamar conduta do colega de 'erro crasso', decano defende unidade da Corte nas investigações sobre Vorcaro
Gilmar Mendes critica Mendonça no caso Master defendendo unidade do STF

O ministro Gilmar Mendes tentou nesta terça-feira (30) minimizar o atrito público com o colega André Mendonça ao declarar que “divergências” entre integrantes da 2ª Turma do STF não significam “desunião” do tribunal frente ao avanço do caso Master.

A declaração veio sete dias após o decano acusar Mendonça de cometer um “erro crasso” ao se envolver em discussões sobre a possível delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro — crítica que expôs uma tensão rara entre os colegas de Corte.

O ‘erro crasso’ que Gilmar atribuiu a Mendonça

Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, em 22 de junho, Gilmar Mendes afirmou ter sido informado de que André Mendonça recebeu um advogado que teria apresentado uma proposta de “delação seletiva” do ex-banqueiro. Para o decano, a situação configura uma impropriedade grave: magistrados não devem participar de negociações entre investigadores e possíveis colaboradores da Justiça.

Na avaliação de Gilmar, a conduta do relator do caso Master violou um limite claro da função judicial — e o termo “erro crasso” escolhido pelo decano elevou a temperatura do debate interno no tribunal.

No mesmo dia da entrevista ao Roda Viva, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, reforçou a centralidade de Mendonça ao indicá-lo como relator competente para investigar os repasses de Vorcaro a Flávio Bolsonaro — consolidando sob sua relatoria todo o universo do caso Master. Veja mais: PGR diz que Mendonça deve relatar repasse do Dark Horse, não Moraes.

Gilmar como único dissidente na 2ª Turma

As declarações de Gilmar Mendes não surgem do nada. Doze dias antes de sua entrevista ao Roda Viva, a 2ª Turma do STF havia mantido presas as famílias Vorcaro por quatro votos a um — com Gilmar como único dissidente. Na ocasião, o decano já ensaiava críticas à condução das investigações e evocava os riscos de reproduzir o modelo da Lava-Jato. Leia também: Caso Master: STF mantém presos parentes de Vorcaro e relator promete mais revelações.

Ao tentar suavizar o tom nesta terça, Gilmar escolheu o caminho da distinção semântica: “divergências” seriam algo natural em um colegiado plural, distintas de uma ruptura institucional. A mensagem, contudo, não apaga o fato de que o próprio decano levou o desentendimento à esfera pública — e com linguagem carregada.

O caso Master segue concentrando tensões dentro e fora do STF. Com Mendonça como relator e o inquérito em curso, as próximas semanas devem revelar se a “unidade” evocada por Gilmar se sustenta diante dos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master.