A Segunda Turma do STF manteve, na segunda-feira (16), a prisão preventiva do pai e do primo de Daniel Vorcaro no âmbito do Caso Master. O placar foi de quatro votos a um.
O único voto contrário veio do decano Gilmar Mendes, que fez duras críticas à condução da investigação e a comparou à Operação Lava-Jato — evocando a maior crise de legitimidade já enfrentada por um processo penal no país.
Horas antes da sessão, o relator André Mendonça retirou o sigilo de novas informações apuradas pela Polícia Federal. As revelações implicam figuras importantes da política brasileira, e o ministro deixou claro: “tem mais coisa por vir”.
O placar que chegou à sessão de segunda
O placar de 2 a 0 havia sido formado em maio, quando o ministro Luiz Fux acompanhou André Mendonça no plenário virtual — até que Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu o julgamento por semanas.
Na véspera da retomada, o cenário jurídico já estava moldado: o procurador-geral da República, Paulo Gonet, posicionou-se contra a prisão domiciliar e bloqueou a segunda proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, retirando da Segunda Turma qualquer saída alternativa às prisões preventivas.
Na sessão presencial, Mendonça foi além da defesa do processo. Ao retirar o sigilo das novas apurações, o relator ampliou o alcance do escândalo para outras figuras do poder político brasileiro. “Tem mais coisa por vir”, avisou.
Gilmar Mendes e o fantasma da Lava-Jato
O voto de Gilmar Mendes foi isolado, mas estridente. O decano questionou a condução da investigação em termos que evocaram um tema sensível para o Supremo: a memória da Operação Lava-Jato, cujos excessos o próprio tribunal reconheceu anos depois.
A comparação reacende o debate sobre os limites entre rigor investigativo e ativismo judicial — questão que segue aberta enquanto o Caso Master avança para novas fases.
O que Consuelo Dieguez viu antes da tormenta
A jornalista Consuelo Dieguez, repórter da revista piauí, acompanha o Caso Master desde antes de as investigações da Polícia Federal virem a público. No episódio #1742 do podcast O Assunto, apresentado por Natuza Nery, ela refaz a linha do tempo do escândalo, apresenta os personagens e aponta os possíveis caminhos da investigação.
No mesmo dia do julgamento, a Polícia Federal havia enviado material atualizado sob sigilo ao gabinete do relator — horas antes de Mendonça levantar publicamente as novas apurações na sessão presencial. O movimento reforça a percepção de que a investigação tem fôlego para avançar.
Dieguez é autora de Bilhões e Lágrimas — A economia brasileira e seus atores e O Ovo da Serpente — Nova direita e bolsonarismo: seus bastidores, personagens e a chegada ao poder, obras de referência para entender o contexto político e econômico em que o escândalo se desenvolve.
O podcast O Assunto, produzido pelo g1, acumula mais de 168 milhões de downloads desde sua estreia em agosto de 2019.
