Economia

Rio corta benefício fiscal que permitiu Refit sonegar R$ 10 bilhões

Secretaria de Fazenda cassou diferimento de ICMS após auditores identificarem fraude em refinaria fantasma de Manguinhos
Refit perde benefício ICMS combustível em Manguinhos após auditoria de fraude fiscal

O governo do Rio de Janeiro cassou o diferimento de ICMS concedido à Refit na importação de combustível, encerrando o principal mecanismo do maior esquema de sonegação fiscal já registrado no estado.

A Secretaria de Fazenda comunicou ao Confaz o desenquadramento da empresa após auditorias identificarem inconsistências na documentação que comprovava os requisitos do benefício.

Investigações apontam que o esquema gerou pelo menos R$ 10 bilhões em impostos não recolhidos — e que o dinheiro poupado foi usado para comprar apoio político.

Como funcionava a fraude

A Refit — antiga refinaria de Manguinhos — importava combustível já praticamente pronto, mas declarava o produto como matéria-prima. Com isso, encaixava a operação no regime de diferimento de ICMS, que adia o pagamento do tributo para o momento da venda ao consumidor final.

Para sustentar a ficção, a empresa simulava um processo de refino em sua unidade de Manguinhos — que as investigações descrevem como uma fachada sem operação real. O imposto jamais era recolhido: nem na entrada do produto no país, nem na ponta do balcão.

Livre dos tributos, a Refit conseguia vender combustível abaixo do preço de mercado, destruindo a concorrência no setor formal. O excedente financeiro, segundo investigações ainda em curso na Polícia Federal, teria sido usado para comprar apoio político.

Próximos passos do fisco

Com a notificação ao Confaz, a Secretaria de Fazenda do Rio abrirá uma nova fiscalização para apurar o uso irregular do benefício. Se confirmada a fraude, a Refit poderá ser multada. Auditores já identificaram inconsistências nos documentos apresentados pela empresa para comprovar o cumprimento dos requisitos que autorizavam o incentivo.

A ironia política por trás da decisão

A decisão de cassar o benefício foi assinada pelo secretário de Fazenda Guilherme Mercez — o mesmo que havia sido afastado do governo Cláudio Castro (PL) exatamente por contrariar os interesses da Refit. O procurador Bruno Dubeux, que se recusava a assinar pareceres favoráveis à empresa, também foi exonerado na mesma época.

Quando ainda atuavam juntos na gestão anterior, a dupla fechou o cerco contra grandes devedores do estado e fez a arrecadação fluminense crescer 17% em 2021, colocando R$ 800 milhões a mais no caixa estadual. Os dois foram reconduzidos aos cargos pelo governador interino Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, após a saída de Castro do governo.

A reintegração de Mercez e Dubeux é só um dos fronts do governador interino na tentativa de desfazer passivos da era Castro — Couto também tenta recuperar R$ 1,4 bilhão dos R$ 3 bilhões que o RioPrevidência alocou no Banco Master sob a gestão anterior.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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