Pesquisadores vinculados a programas de desenvolvimento tecnológico e pós-doutorado estão há mais de dois meses sem receber bolsas do CNPq. A falha atinge titulares das modalidades DTI-A, DTI-B e Pós-Doutorado, que relatam incerteza sobre datas de crédito e ausência de comunicação oficial do órgão.
O CNPq atribui o problema a uma inconsistência no processamento de recursos provenientes de parceiros externos. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) anunciou que a regularização dos pagamentos começa na quinta-feira, dia 18.
O CNPq informou que a inconsistência afetou menos de 1% dos cerca de 102 mil beneficiários atendidos pelo órgão em todo o país. Ainda assim, os impactados — concentrados nas categorias DTI-A, DTI-B e Pós-Doutorado — relatam não ter recebido qualquer aviso prévio sobre os atrasos, seja por e-mail, sistema interno ou comunicado formal.
Os pagamentos de junho somam-se a valores de meses anteriores já em aberto. A ausência de previsibilidade compromete tanto as despesas pessoais dos pesquisadores quanto a continuidade das atividades às quais estão vinculados.
O que dizem CNPq e MCTI
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação confirmou que a origem do problema já foi identificada e que os demais pagamentos de bolsas administradas pelo órgão foram realizados normalmente — a falha ficou restrita aos casos ligados à inconsistência nos repasses de parceiros externos.
O MCTI, no entanto, não detalhou quantos bolsistas foram afetados nem quais programas ou projetos específicos foram atingidos. A falta de detalhamento é justamente um dos principais pontos de crítica levantados pelos pesquisadores nos relatos coletados.
Entre os bolsistas afetados, o sentimento predominante é de insegurança financeira. Parte significativa depende exclusivamente dos repasses para cobrir despesas do dia a dia, o que torna um atraso superior a dois meses especialmente crítico para quem não possui outras fontes de renda regulares.
A cobrança por mais transparência na comunicação institucional do CNPq é recorrente nos depoimentos. Os pesquisadores defendem que, diante de qualquer falha operacional, o órgão deveria notificar os beneficiários de imediato, com prazo estimado de resolução e canais de atendimento acessíveis.
Perspectiva de normalização
Com a promessa de regularização a partir do dia 18 de junho, os pesquisadores aguardam que os valores pendentes sejam efetivamente creditados. O episódio acende o debate sobre a robustez dos sistemas de processamento de repasses do CNPq e sobre a necessidade de protocolos mais claros de comunicação em situações de intercorrência operacional.
