Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e ex-assessora do Ministério da Economia na gestão Paulo Guedes, passou a integrar oficialmente a equipe que elabora o programa de governo de Flávio Bolsonaro (PL).
Para isso, ela se licenciou por seis meses da empresa Legend. O objetivo, segundo ela própria, é “ajudar o Brasil” com um modelo econômico “mais austero e virtuoso”.
Daniella declarou estar “indignada” com os gastos do atual governo em ano eleitoral.
A chegada de Daniella ao núcleo estratégico de Flávio tem motivação clara: o senador precisa reconquistar credibilidade junto ao mercado financeiro. Após revelar que pressionou Daniel Vorcaro, do Banco Master, por até R$ 61 milhões para bancar o filme Dark Horse, Flávio chegou a pedir a suspeição do ministro Alexandre de Moraes para julgar o caso no STF — episódios que desgastaram sua imagem entre investidores.
Trazer um nome próximo a Paulo Guedes é uma sinalização direta ao setor financeiro de que o programa de Flávio terá perfil liberal.
Trajetória no mercado e no governo
Daniella acumula experiência no mercado financeiro e na gestão pública. Na Bozano Investimentos, foi sócia de Paulo Guedes e atuou como diretora de Compliance, Operações e Finanças (COO e CFO). Também foi diretora-executiva da Oren Investimentos e, na Mercatto Investimentos, ocupou as funções de diretora de Risco e Compliance, sócia e gestora de Renda Variável.
No governo Bolsonaro, ela ingressou em janeiro de 2019 como chefe da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos do ministro Paulo Guedes. Atuou ainda na Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia.
Daniella é formada em Administração de Empresas pela PUC-RJ e tem MBA em Finanças pelo Ibmec.
A movimentação foi antecipada pelo jornal O Globo antes de ser confirmada pela própria executiva ao blog. Daniella já vinha colaborando de forma informal com os contatos de Flávio para difundir ideias econômicas — a formalização representa um salto na estruturação do projeto político do senador para 2026.
Estratégia além da economia
A escolha de Daniella carrega também um componente eleitoral: ao escalar uma mulher com passagem pelo comando da Caixa Econômica Federal e por grandes gestoras de investimento, Flávio Bolsonaro aposta em melhorar sua imagem junto ao eleitorado feminino — um dos segmentos historicamente menos receptivos ao bolsonarismo e, por isso, alvo prioritário de qualquer estratégia de ampliação de base.
