Horas depois de a Polícia Federal cumprir mandado de busca e apreensão na casa do senador Ciro Nogueira (PP), aliado histórico da família Bolsonaro, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) foi às redes sociais para cobrar uma CPI do Banco Master — e apontar ligações entre o banco e a cúpula do PT.
A ofensiva, publicada em vídeo na quinta-feira, projeta o escândalo financeiro como munição eleitoral contra o governo Lula, mesmo com um aliado direto de Flávio no centro das investigações.
A jogada de Flávio
No vídeo, Flávio Bolsonaro pergunta: “Como esse banco cresceu? Quem estava por trás? Quem se beneficiou? E quais são as ligações do Master com a alta cúpula do PT nacional e da Bahia?” A gravação exibe uma reportagem da Gazeta do Povo que aponta governos petistas na Bahia como o “berço político” do Banco Master.
A manobra tem marca eleitoral evidente: ao exigir a CPI, Flávio tenta deslocar o foco das investigações — que no momento atingem diretamente Nogueira, apontado pela Polícia Federal como destinatário central do esquema de repasses de Daniel Vorcaro, dono do banco. Mensagens interceptadas pela PF mostram que a mesada de até R$ 500 mil era transferida via empresas para disfarçar a origem — e o próprio Vorcaro chegou a questionar se o valor poderia cair para R$ 300 mil.
CPI do Master: onde está o placar
Deputados e senadores articulam desde abril a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o banco. Em 30 de abril, as deputadas Heloísa Helena (Rede-SP) e Fernanda (PSOL-RS) — de partidos aliados ao governo Lula — protocolaram na Câmara um pedido formal para a abertura da comissão.
No Senado, a CPI do INSS tentou avançar sobre pautas ligadas ao Master, mas senadores da oposição preferem uma comissão específica para o caso. Há ainda a possibilidade de criação de uma CPMI, comissão mista com deputados e senadores.
O movimento de Flávio ganha contornos mais irônicos com a admissão do próprio PT. O presidente nacional do partido, Edinho Silva, declarou ao Estado de S.Paulo na semana passada: “O PT deveria ter assinado a CPI do Banco Master. Foi um erro que o PT cometeu.” A frase entrega à oposição um argumento que o PL não perde oportunidade de usar.
O escândalo e o Centrão
Com parlamentares de diferentes legendas no raio das investigações, o caso extravasa fronteiras partidárias. O Centrão está no centro do esquema, e o processo deve permanecer no Supremo Tribunal Federal — com o ministro André Mendonça como relator do episódio mais explosivo da temporada eleitoral.
Para Flávio Bolsonaro, pré-candidato que tenta se posicionar como voz da oposição, o Master virou instrumento duplo: ferramenta para atacar o PT e estratégia para disputar o controle narrativo de um escândalo que, por ora, bate mais forte nas fileiras aliadas do que nas petistas.
