Meio ambiente

Ação humana quadruplicou inundações costeiras extremas desde 1900, revela estudo

Somando aquecimento global e afundamento do solo, eventos centenários passaram a ocorrer a cada 8 anos
Inundações costeiras extremas relacionadas ao aquecimento global atingem avenida litorânea com vagas violentas

Um estudo publicado nesta quarta-feira (10) na revista Nature Climate Change confirma o que cientistas temiam: a ação humana quadruplicou a frequência de inundações costeiras extremas ao longo do último século.

Quando se somam causas naturais e o afundamento do solo em certas regiões, o salto é ainda mais vertiginoso — eventos que ocorriam uma vez a cada 100 anos hoje se repetem, em média, a cada 8 anos, uma aceleração de 12 vezes na frequência.

Para chegar às conclusões, os pesquisadores combinaram registros de 130 marégrafos ao redor do mundo com simulações climáticas, separando a influência das atividades humanas, de fatores naturais e dos movimentos do solo.

O aquecimento causado pelo ser humano foi identificado como o principal responsável — sozinho, tornou esses eventos raros cerca de quatro vezes mais prováveis. As causas naturais também contribuíram, mas perderam força ao longo do tempo: tiveram maior peso na primeira metade do século 20, enquanto a influência humana passou a predominar a partir da década de 1960.

Onde o risco cresceu mais

Os casos regionais revelam a magnitude das mudanças. Em Sandy Hook, na costa de Nova Jersey (EUA), um evento que ocorria uma vez por século passou a se repetir aproximadamente a cada 16 anos. Em Wellington, na Nova Zelândia, o mesmo tipo de episódio ocorre cerca de duas vezes por ano.

O caso mais extremo é Manila, nas Filipinas. A retirada acelerada de água subterrânea fez o solo afundar e elevou o nível relativo do mar em cerca de 60 centímetros — tornando as inundações extremas mais de 300 vezes mais frequentes na cidade.

“À medida que o nível do mar sobe, tempestades menores podem produzir inundações que antes exigiam condições mais severas”, afirmou o pesquisador Dangendorf.

Um relatório da OMM divulgado em maio já apontava que a América Latina vive o período de aquecimento mais acelerado desde 1900 — a mesma tendência que, segundo o novo estudo, está por trás do aumento global nas inundações costeiras extremas.

Mais de 680 milhões de pessoas vivem em regiões litorâneas baixas no mundo. Para essa população, pequenas variações no nível do mar podem alterar drasticamente o risco de alagamento — e os dados do estudo mostram que essa transformação já está em curso, não é uma projeção para décadas à frente.

Os autores alertam que estimativas históricas de frequência de enchentes podem não refletir mais as condições atuais, com consequências diretas para o planejamento de obras de proteção e a adaptação das cidades litorâneas.

Potencial para ações judiciais climáticas

Ao ligar diretamente as emissões de gases de efeito estufa a danos concretos em comunidades vulneráveis, a pesquisa pode embasar ações judiciais climáticas e pedidos de compensação por perdas — um campo em rápida expansão, especialmente em regiões costeiras de baixa altitude.

No Brasil, a conta já é pesada: desastres climáticos custam mais de R$ 110 bilhões ao PIB por ano, e o país ainda gasta dez vezes mais para reparar estragos do que para evitá-los.

Vale notar que, em 25 dos 130 pontos analisados — concentrados no norte da Europa, na América do Norte e no Japão —, os eventos extremos ficaram menos frequentes. Nesses locais, o solo está subindo em movimento ligado ao fim da última era glacial ou a terremotos, o que compensa parcialmente a elevação do nível do oceano.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Senado confirma Benedito Gonçalves como corregedor do CNJ por 53 a 16

CCJ da Câmara aprova PEC que reduz maioridade penal para 16 anos

Ação humana quadruplicou inundações costeiras extremas desde 1900, revela estudo

Engenheiro demitido por alertar sobre riscos do Grok processa xAI por retaliação