O PT lançou nesta segunda-feira (8) uma carta ao eleitorado evangélico, reafirmando que os governos da legenda sempre mantiveram “respeito e reconhecimento” pelas igrejas e listando medidas de liberdade religiosa adotadas na gestão Lula.
O documento foi elaborado no 4º Encontro Nacional de Evangélicos do PT e divulgado dias após a Marcha para Jesus em São Paulo — evento do qual o presidente Lula se ausentou, enviando o advogado-geral da União, Jorge Messias, como representante.
A carta evita deliberadamente os temas ligados à pauta de costumes e aposta em destacar pontos de convergência entre os governos petistas e as comunidades religiosas.
Entre as medidas elencadas estão leis voltadas ao livre exercício dos cultos, a facilitação para criação de igrejas, o reconhecimento da música gospel como patrimônio cultural e a instituição de datas nacionais ligadas à fé cristã e ao combate à intolerância religiosa.
O texto encerra com declaração de apoio ao governo: “Manifestamos nosso apoio à continuidade do projeto democrático e popular liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.”
Estratégia eleitoral
Na Marcha para Jesus de 4 de junho, Lula justificou a ausência por telefone, afirmando que evita participar de eventos religiosos em período eleitoral para não “passar a ideia de que quer tirar proveito político de algo sagrado”.
A movimentação revela uma preocupação concreta do partido: o eleitorado evangélico, em sua maioria, não votou em Lula em 2022 e tem pesado na queda de popularidade do governo nas pesquisas recentes. Em reuniões internas e discursos com aliados, o presidente tem cobrado a construção de pontes com denominações religiosas cristãs.
Enquanto o PT tentava o diálogo pela via epistolar, a oposição marcou presença física na marcha. O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, discursou do trio elétrico e declarou que o país vive uma “guerra espiritual” e que “o mal vai ser expulso do governo” neste ano.
Também participaram do evento o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o ministro do STF André Mendonça — além do próprio representante de Lula, Jorge Messias.
O contraste entre a presença da oposição e a ausência do presidente no maior evento evangélico do calendário político evidencia o desafio do PT junto a esse eleitorado. Com o crescimento da bancada evangélica no Congresso e o peso dos fiéis nas urnas, reconquistar parcela desse público tende a ser uma das prioridades da estratégia petista rumo a 2026.