As empresas estatais federais fecharam os quatro primeiros meses de 2026 com um déficit de R$ 5,93 bilhões — o pior resultado para o período em toda a série histórica, que o Banco Central registra desde 2002.
O rombo parcial já supera o déficit de todo o ano de 2025, que somou R$ 5,1 bilhões. No ano passado, o maior déficit para janeiro a abril havia sido de R$ 2,73 bilhões — menos da metade do registrado agora.
Correios no centro da crise
O desempenho negativo das estatais tem nos Correios seu principal ponto de tensão. Em 2025, a empresa registrou um prejuízo de R$ 8,5 bilhões — mais de três vezes o rombo de R$ 2,6 bilhões apurado em 2024, e o 14º trimestre consecutivo de resultado negativo desde o quarto trimestre de 2022.
Para aliviar o caixa, a estatal fechou o ano contraindo um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras, com garantia do Tesouro Nacional. O movimento, porém, não passou sem escrutínio: o Tribunal de Contas da União concluiu em auditoria que a garantia foi concedida sem análises técnicas suficientes para dimensionar o risco fiscal assumido pela União.
Em busca de novas fontes de receita, o governo federal autorizou em maio os Correios a vender seguros, títulos de capitalização e a atuar como operadora virtual de telefonia — medida emergencial diante do rombo acumulado em 2025.
O presidente da estatal, Emmanoel Rondon, alertou no fim de 2025 que os Correios precisarão de mais R$ 8 bilhões ao longo de 2026 para enfrentar a crise — seja por meio de novo empréstimo, seja via aporte direto do Tesouro Nacional.
Estatais no vermelho até 2030
O cenário fiscal das empresas públicas não deve melhorar no curto prazo. Segundo o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado pelo governo ao Congresso em abril, as estatais federais devem continuar no vermelho pelo menos até 2030.
Para os Correios, o documento admite que a situação econômico-financeira pode se agravar ainda mais, mantendo a tendência observada nos últimos dois anos, apesar do plano de reestruturação em vigor. O Executivo reconhece que a empresa provavelmente precisará de aportes de capital da União até 2027 — algo já admitido publicamente pela ministra da Gestão, Esther Dweck.
Um eventual aporte implicaria transferência direta do Tesouro Nacional para capitalizar a estatal, ampliando o impacto das empresas públicas sobre as contas do governo federal num momento em que o arcabouço fiscal exige controle de despesas.
