Política

Alcolumbre promulga brecha eleitoral que Lula recusou assinar

Dispositivos da LDO abrem exceção para repasses públicos no período eleitoral e ignoram veto do Executivo por inconstitucionalidade
Lula em retrato oficial com câmara do Senado ao fundo representando a promulgação de doações eleitorais LDO 2026

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), promulgou nesta quarta-feira (27) trechos da LDO 2026 que permitem doações e repasses de recursos públicos a estados e municípios durante o período eleitoral.

Os dispositivos haviam sido vetados pelo presidente Lula sob argumento de inconstitucionalidade, mas o Congresso derrubou os vetos — e o Executivo se recusou a assinar a promulgação, devolvendo o texto ao Senado.

Publicados no Diário Oficial da União desta quarta-feira, os trechos criam uma exceção direta à legislação eleitoral: políticos poderão realizar transferências de recursos mesmo no intervalo em que a lei proíbe a distribuição de benefícios governamentais — restrição pensada para impedir o uso da máquina pública em favor de candidatos.

A derrubada dos vetos contrariou a consultoria técnica da Câmara e do Senado. A Transparência Brasil aponta que emendas parlamentares podem ser usadas para abastecer municípios via órgãos federais, sem que o repasse apareça como ação direta do parlamentar — caracterizando doações indiretas em ano eleitoral.

Municípios inadimplentes também são beneficiados

Outro dispositivo resgatado pelo Congresso autoriza transferências e assinatura de convênios com municípios de até 65 mil habitantes mesmo quando inadimplentes com o governo federal — contrariando diretamente a Lei de Responsabilidade Fiscal, segundo o argumento do Executivo ao vetar o trecho.

Na semana passada, o Congresso derrubou os quatro vetos de Lula à LDO 2026 e abriu caminho para as transferências eleitorais — decisão que forçou Alcolumbre a assumir a promulgação após a recusa do Executivo.

O gesto de Alcolumbre de promulgar um texto que o presidente se recusou a assinar não é novidade institucional. Em maio, o mesmo ritual se repetiu com a Lei da Dosimetria, consolidando um padrão de confronto entre Executivo e Congresso que vai além de disputas pontuais e revela uma disputa estrutural sobre quem detém a palavra final no processo legislativo.

A publicação no DOU abre caminho para questionamentos judiciais. O governo Lula vetou os trechos por entender que ferem a Constituição, e o tema pode ser levado ao Supremo Tribunal Federal caso algum partido ou entidade acione o Judiciário antes das eleições de outubro.

Na prática, a nova regra entra em vigor num momento de alta sensibilidade política: parlamentares têm maior incentivo para direcionar recursos a bases eleitorais justamente no segundo semestre. Críticos veem na medida um mecanismo que fragiliza o controle eleitoral ao permitir transferências em período restrito — sem exigir que o município destinatário esteja em dia com o fisco federal.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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