Três superpetroleiros iniciaram a travessia do Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (20), transportando 6 milhões de barris de petróleo bruto do Oriente Médio para mercados asiáticos após mais de dois meses parados no Golfo Pérsico.
Os navios seguem por uma rota alternativa autorizada pelo Irã, segundo dados das firmas de rastreamento LSEG e Kpler — em um momento em que o tráfego pelo estreito ainda opera em volume mínimo por causa da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
O bloqueio que reteve as embarcações se consolidou no início de maio, quando relatos de mísseis contra um navio americano levaram o Irã a barrar embarcações militares dos EUA no estreito — episódio que empurrou o barril acima de US$ 100.
O impacto no tráfego foi severo. Antes do conflito, o Estreito de Ormuz registrava entre 125 e 140 passagens diárias. Nos últimos dias, esse número despencou para cerca de 10 embarcações — incluindo navios de carga e outros tipos.
Enquanto os superpetroleiros retomam a rota, cerca de 20 mil tripulantes permanecem presos no Golfo Pérsico, a bordo de centenas de navios que ainda aguardam autorização para transitar.
A movimentação desta quarta tem precedente imediato: na semana passada, um navio catariano carregado com gás natural fez a primeira travessia pelo Estreito desde o início da guerra, abrindo caminho para a passagem dos superpetroleiros.
Alertas do setor marítimo
Nesta quarta-feira, associações do setor de transporte marítimo emitiram novas orientações a embarcações que pretendem navegar pelo estreito. Os riscos listados incluem ataques, ameaças de drones e minas, congestionamento imprevisível e “supervisão militar reduzida”.
“Centenas de embarcações continuam impossibilitadas de transitar pelo Estreito de Ormuz e, em caso de retorno a condições mais normais de navegação, o movimento simultâneo dessas embarcações no local pode representar um risco considerável”, alertaram as associações.
A reabertura parcial do estreito não conteve a queda dos preços do petróleo nesta quarta-feira. Em meio a incertezas sobre as negociações de paz entre EUA e Irã, o barril do Brent recuava 2,23%, cotado a US$ 108,80 por volta das 10h. O West Texas Intermediate (WTI) caía 0,82%, a US$ 107,77.
O movimento segue um padrão já registrado no conflito: quando rumores de acordo de paz ganharam força no dia 6 de maio, o barril despencou mais de 10% em uma única sessão — reflexo direto do peso que as negociações exercem sobre o mercado.
Mesmo com os três superpetroleiros em trânsito, os navios-tanque ainda representam uma parcela pequena das embarcações que cruzam o estreito, conforme análise da Reuters com base em dados de rastreamento. A restrição em Ormuz continua a pressionar mercados globais pelo risco de oferta limitada de petróleo.
