Política

Câmara criminaliza aumento abusivo de combustíveis com pena de até 4 anos

Proposta vai ao Senado e integra pacote do governo montado em resposta à guerra que levou o petróleo a US$ 120 por barril
Câmara dos Deputados debatendo criminalização preço abusivo combustíveis em resposta à crise de petróleo

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (20) um projeto que transforma em crime punível com prisão o aumento artificial de preços em setores de utilidade pública, incluindo combustíveis.

A pena prevista varia de 2 a 4 anos de reclusão, além de multa — e pode ser agravada em até metade dependendo da conduta do infrator.

O texto segue para o Senado e faz parte de um pacote governamental criado em resposta à disparada do petróleo no mercado internacional, puxada pelo conflito armado entre Irã e Estados Unidos no Oriente Médio.

O projeto modifica a lei que trata dos crimes contra a ordem econômica, com foco específico em agentes que operam em setores regulados considerados de utilidade pública — categoria que abrange o abastecimento de combustíveis.

Pela proposta, o aumento de preços será enquadrado como ilícito quando resultar de conduta anticoncorrencial ou quando não encontrar amparo em fatores econômicos legítimos, como a variação dos custos de produção.

Cade entra na fiscalização

Para apurar as infrações, o Ministério Público deverá assinar acordos de cooperação com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), integrando a resposta penal ao aparato já existente de defesa da concorrência.

A pena-base — entre 2 e 4 anos, mais multa — poderá ser elevada de um terço até a metade conforme as circunstâncias da conduta, segundo o texto aprovado.

O relator, deputado Merlong Solano (PT-PI), reconheceu que as medidas anteriores do governo não impediram a escalada dos preços. “Esse cenário evidencia a existência de falhas na transmissão dos efeitos das políticas públicas ao consumidor final, levantando preocupações quanto à ocorrência de práticas abusivas de precificação”, afirmou.

A aprovação integra um conjunto de iniciativas que já havia recebido sinalização positiva dos presidentes da Câmara e do Senado, e que inclui mecanismo de corte de impostos sobre combustíveis em situações de conflito armado que pressionem o petróleo.

O petróleo operava abaixo de US$ 70 por barril antes da escalada das tensões entre Irã e Estados Unidos. Em março de 2026, o barril superou US$ 120 — alta de mais de 70% que se refletiu nos preços à bomba e pressionou a inflação ao consumidor em todo o país.

Projeção de inflação no teto da meta

A semana da aprovação coincide com a revisão do Ministério da Fazenda, que elevou a estimativa de inflação para 4,5% — exatamente no limite superior da meta —, pressionada pelo barril de petróleo operando acima de US$ 110.

O governo argumenta que as medidas adotadas até agora não foram suficientes para frear a alta dos preços ao consumidor final, o que aponta para possíveis distorções no repasse praticado ao longo da cadeia produtiva.

Com a criminalização, o Executivo aposta numa resposta de natureza penal para complementar os instrumentos regulatórios já existentes. A expectativa agora recai sobre o Senado, onde o projeto precisará ser votado antes de ganhar força de lei.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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