O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) desembolsou cerca de R$ 49,4 bilhões para indenizar clientes do conglomerado Banco Master, do Will Bank e do Banco Pleno — três instituições que tiveram liquidações decretadas pelo Banco Central. Mesmo assim, aproximadamente R$ 2,2 bilhões continuam disponíveis e ainda não foram sacados pelos credores.
O maior volume foi destinado ao conglomerado Master, que inclui Banco Master, Master de Investimento e Letsbank: R$ 39,7 bilhões pagos a cerca de 915 mil credores, o equivalente a 97,87% do total previsto.
Detalhamento por instituição
O conglomerado Master concentra a maior fatia dos desembolsos do FGC: R$ 39,7 bilhões distribuídos a aproximadamente 915 mil credores, atingindo 97,87% do valor previsto para o grupo. O segmento inclui o Banco Master, a Master de Investimento e o Letsbank.
No Will Bank, os pagamentos somam R$ 5,4 bilhões. A maior parte — R$ 5,3 bilhões — foi destinada a credores com saldo acima de R$ 1 mil. Outros R$ 128 milhões atenderam clientes com quantias menores, processados por um canal diferente.
O Banco Pleno, por sua vez, teve R$ 4,3 bilhões pagos a cerca de 132 mil beneficiários.
Como receber o dinheiro
Para credores do Banco Master e do Banco Pleno, assim como para clientes do Will Bank com valores superiores a R$ 1 mil, o resgate é feito pelo aplicativo do FGC. Para saldos de até R$ 1 mil no Will Bank, o processo é conduzido diretamente pelo aplicativo da própria instituição.
O FGC informa que a maioria dos recursos já foi liberada, mas uma parcela dos credores ainda não concluiu o processo de saque — daí os R$ 2,2 bilhões que permanecem disponíveis.
Um rombo sem precedentes no sistema financeiro brasileiro
A mobilização de quase R$ 50 bilhões pelo FGC em decorrência de três liquidações simultâneas configura um dos maiores eventos de indenização da história do fundo, criado em 1995 para proteger correntistas em caso de quebra de instituições financeiras.
O impacto do caso Master transcende os depositantes diretos. O Distrito Federal chegou a pedir garantia da União para tomar R$ 6,6 bilhões emprestados do próprio FGC para sanear o BRB, banco que adquiriu carteiras do Master antes da liquidação — uma operação que expõe o alcance sistêmico da crise.
A trajetória de expansão do banco até a quebra também é reveladora. O Master cresceu 2.123% em ativos em cinco anos, com os consignados militares saltando 1.253% em um único ano — crescimento que o Banco Central classificou como assentado sobre bases fraudulentas ao decretar a liquidação da instituição.
