Trump voltou da China com um argumento político inusitado: as palavras de Xi Jinping sobre o declínio dos Estados Unidos como prova de que o problema era Joe Biden.
Em post no Truth Social nesta quinta-feira (14), o presidente revelou que o líder chinês chamou os EUA de país em declínio — “de forma muito elegante” — mas tratou de contextualizar que a crítica se referia ao governo anterior, não ao atual.
Trump concordou com o diagnóstico e afirmou que o país voltou a crescer desde que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025.
A declaração foi feita durante a visita de Trump à China, onde se reuniu com Xi Jinping no Grande Salão do Povo, em Pequim. A agenda bilateral encerra nesta sexta-feira (15).
No Truth Social, Trump listou medidas adotadas desde janeiro de 2025 e reforçou que o país vive momento de ascensão. Segundo ele, o líder chinês também o parabenizou por “tantos sucessos tremendos em tão pouco tempo” — detalhe que Trump incorporou como endosso externo à sua narrativa de recuperação americana.
Foi a primeira declaração pública mais detalhada do presidente sobre a reunião. Antes, Trump havia se limitado a dizer que o encontro tinha sido “ótimo”, sem detalhar o que havia sido discutido.
China promete não armar o Irã
Em entrevista à Fox News logo após a cúpula, Trump revelou que a China garantiu não fornecer equipamentos militares ao Irã. O presidente também contou que Xi defendeu a reabertura do Estreito de Ormuz e teria “brincado” sobre o vai e vem de bloqueios da rota pelos dois países.
A visita foi a segunda cúpula presencial entre os dois líderes em menos de um ano — e chegou carregada de tensões acumuladas sobre armas nucleares, Taiwan e inteligência artificial. Xi encontra Trump em Pequim e prega parceria em ‘encruzilhada’ global.
No início do encontro, Xi falou sobre instabilidade internacional e afirmou que os dois países têm mais interesses em comum do que diferenças. Trump disse ver um “futuro fantástico” para a relação bilateral e chamou Xi de amigo.
A sessão fechada, porém, trouxe o tom mais áspero da cúpula. A portas fechadas, Xi foi além dos elogios e alertou Trump sobre o risco de conflito caso Taiwan não seja conduzida com cuidado — apontando o tema como o mais importante na relação bilateral. Xi invoca armadilha de Tucídides e alerta Trump sobre Taiwan em Pequim.
De acordo com a agência estatal chinesa Xinhua, o líder advertiu que um erro na condução do assunto colocaria a relação sino-americana em uma situação “muito perigosa” — o alerta mais explícito de toda a visita.
