A ligação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro preso Daniel Vorcaro cruzou fronteiras. Publicações de referência global enquadram o episódio como ameaça simultânea à candidatura presidencial do senador e à estabilidade do mercado financeiro.
O caso veio à tona após reportagem do The Intercept Brasil revelar que Flávio pediu a Vorcaro até US$ 24 milhões para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro — e pressionou o banqueiro, preso por fraudes bilionárias no Banco Master, pela liberação dos recursos.
La Nación: crise que vai além do escândalo
O jornal argentino La Nación publicou reportagem intitulada “Revelado que Flávio Bolsonaro recebeu milhões de um banqueiro preso por fraude para produzir um filme sobre seu pai”. O diário portenho afirmou que o episódio “coloca o parlamentar potencialmente na mira do sistema judiciário” e questiona seu “discurso de transparência justamente quando as pesquisas refletem empate com o presidente Lula”.
“A crise para o bolsonarismo está se aprofundando porque o escândalo parece ser apenas a ponta de um iceberg muito maior”, escreveu o jornal, citando também a investigação que recaiu na semana anterior sobre o senador Ciro Nogueira, aliado dos Bolsonaros.
O ponto de partida da cobertura internacional foi o áudio revelado pelo Intercept Brasil, em que Flávio pressiona Vorcaro pelo pagamento de R$ 134 milhões destinados ao filme biográfico sobre Jair Bolsonaro — gravação que a Reuters e a Bloomberg associaram diretamente à queda do real nos mercados.
Washington Post e a contradição do senador
O Washington Post reproduziu reportagem da Associated Press que destacou a sequência de negações do senador. “Horas antes de suas mensagens para o banqueiro se tornarem públicas, Flávio Bolsonaro disse a jornalistas em Brasília que não tinha nenhuma ligação com Vorcaro”, registrou a agência — posição que ele já havia adotado em março, quando seu número apareceu em celulares de Vorcaro apreendidos pela Polícia Federal.
Mercados e eleições: a dupla consequência
A agência Reuters destacou a queda nos mercados financeiros brasileiros e reportou que investidores passaram a “especular que isso poderia influenciar o resultado de uma acirrada disputa presidencial”. “Os supostos vínculos entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro poderiam prejudicar as ambições presidenciais do senador, que, segundo as pesquisas, está praticamente empatado com Lula em um cenário de segundo turno”, avaliou a agência.
A Bloomberg foi mais direta ao descrever o impacto econômico: “Real brasileiro desaba após reportagem ligando Bolsonaro a escândalo bancário”. Para a agência financeira, a dimensão do caso vai além da política e afeta a percepção de risco do país.
No cenário eleitoral traçado pela imprensa estrangeira, o La Nación apontou Michelle Bolsonaro como “o Plano B mais visível em termos de intenções de voto”, apesar de seu relacionamento com os filhos de Jair ser descrito como “péssimo”. Essa fratura interna no bolsonarismo expõe o senador a pressões simultâneas — judicial, eleitoral e financeira —, com Daniel Vorcaro, preso e negociando delação premiada, como a variável mais imprevisível do tabuleiro.
