Economia

Azara Capital compra Naskar, fintech acusada de sumir com R$ 335 mi

Empresa norte-americana assume auditoria dos investidores; mais de 2.700 pessoas podem ser afetadas
Investidor preocupado com smartphone ilustrando crise da Naskar fintech investigada por fraude com investidores

A empresa norte-americana Azara Capital anunciou nesta quinta-feira (14) a aquisição da Naskar, fintech brasileira investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal por suposta fraude envolvendo ao menos R$ 335 milhões de investidores.

Com a compra, a Azara Capital assume a condução do processo de auditoria junto à base de investidores, incluindo análise individual dos casos e gestão dos compromissos financeiros da operação. A empresa também vai adquirir a 7Trust e a Next, em transação avaliada em aproximadamente R$ 1,2 bilhão.

Clientes sem acesso e boletins de ocorrência no DF

A crise da Naskar veio à tona após clientes relatarem impossibilidade de acessar o aplicativo, resgatar valores investidos e obter qualquer resposta da empresa. As queixas se multiplicaram no Reclame Aqui e levaram à abertura de investigação formal pela Polícia Civil do DF.

Um dos registros policiais foi feito pelo empresário Wesley Miranda Albuquerque, sócio-administrador de uma empresa de planejamento financeiro em Brasília. Segundo o boletim, ele intermediou aportes de cerca de 135 clientes, totalizando aproximadamente R$ 47 milhões investidos na plataforma. De acordo com Wesley, os pagamentos pararam, o aplicativo saiu do ar sem aviso e os representantes da Naskar passaram a ignorar mensagens, ligações e notificações formais.

Grupo Nexco processa a Naskar Holding

O Grupo Nexco ajuizou ação contra a Naskar Holding após atrasos inéditos em repasses previstos em contratos de mútuo — que deveriam ocorrer sempre no primeiro dia útil do mês. A empresa estima que cerca de 1.250 clientes, colaboradores e pessoas ligadas à sua base foram afetados, com prejuízo de aproximadamente R$ 288 milhões.

Considerando toda a operação da Naskar, a estimativa é de que a empresa possua cerca de R$ 850 milhões em contratos de mútuo, com impacto potencial sobre mais de 2.700 pessoas — incluindo diretores e colaboradores da própria Nexco, que também investiram na plataforma.

Em nota, a Naskar afirmou que iniciou um processo interno de auditoria após identificar inconsistências em sua base de dados, sem apresentar prazo concreto para normalização dos serviços. A assessoria da empresa não confirmou se os clientes continuam sem acesso ao aplicativo.

O advogado Kauê Machado, do escritório Machado Gobbo, que representa o Grupo Nexco e parte dos clientes afetados, afirmou que “o problema deixou de ser apenas um atraso e passou a ser uma crise de confiança e de informação”. Para ele, a ausência de respostas concretas tornou inevitável a busca por tutela judicial.

A Nexco destacou que os contratos firmados com a Naskar são instrumentos de mútuo civil — empréstimos amparados pelo Código Civil —, e não produtos financeiros regulados pelo mercado de capitais. A empresa afirma que não havia identificado, até o surgimento da crise, qualquer sinal público de irregularidade na operação da Naskar, e que nem o Procon nem o Ministério Público haviam emitido alertas anteriores sobre a companhia.

Com a chegada da Azara Capital ao quadro societário, investidores aguardam respostas concretas sobre o cronograma de regularização dos pagamentos e a reativação da plataforma. A companhia norte-americana não detalhou publicamente os próximos passos para devolução dos valores bloqueados.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
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