O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o encontro com Donald Trump, nesta quinta-feira (7) na Casa Branca, para entregar um recado direto: ao se afastar do Brasil e da América Latina, os Estados Unidos abriram espaço para que a China avançasse na região.
Lula lembrou que, no século passado, os EUA eram o maior parceiro comercial do Brasil. Com o recuo americano — e europeu —, esse espaço foi progressivamente ocupado pelos chineses.
O encontro na Casa Branca é o segundo entre os dois presidentes. O primeiro aconteceu em outubro do ano passado, na Malásia, meses após os EUA imporem tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sancionarem autoridades do país em razão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Lula também argumentou que o afastamento americano e europeu da América Latina está sendo corrigido — e citou o acordo entre o Mercosul e a União Europeia como exemplo desse movimento de reaproximação.
Agenda do encontro
A reunião foi estruturada como encontro de trabalho, sem status de visita de Estado formal. A pauta havia sido pré-acordada pelas equipes diplomáticas dos dois países e abrangeu temas como comércio, terras raras, combate ao crime organizado, a investigação americana sobre o PIX, regulação das big techs, conflitos internacionais e o cenário eleitoral brasileiro.
Lula desembarcou em Washington na noite de quarta-feira (6) e retornou a Brasília ainda nesta quinta. O contato mais recente entre os dois havia sido em 1º de maio, quando Trump ligou para o presidente brasileiro numa conversa de cerca de 40 minutos — momento em que Lula se colocou à disposição para o encontro presencial.
Cinco ministros integraram a delegação brasileira na reunião. O grupo também incluía o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que não participou do encontro propriamente. Do lado norte-americano, representantes da alta cúpula do governo também estiveram presentes.
Ao encerrar o encontro — que se estendeu além do previsto —, Lula deixou a Casa Branca confiante de que os dois países avançaram rumo à normalização das relações bilaterais.
