A União Europeia avança com um plano para banir equipamentos de fornecedores chineses de 18 setores estratégicos — e a conta pode chegar a US$ 432 bilhões até 2030, segundo estudo encomendado pela Câmara de Comércio da China na UE (CCCEU) e conduzido pela KPMG.
O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (6) e projeta um custo de 367,8 bilhões de euros para o bloco caso a substituição seja forçada. A Alemanha concentraria a maior parte do gasto: 170,8 bilhões de euros — quase metade do total.
Além da Alemanha, outros cinco países enfrentariam perdas superiores a 10 bilhões de euros cada: França, Itália, Espanha, Polônia e Países Baixos. Para o bloco como um todo, os impactos incluiriam a troca de hardware, perdas contábeis em ativos já amortizados e queda de eficiência com atrasos na digitalização dos setores atingidos.
Processo legislativo ainda em fase inicial
Os governos dos Estados-membros e o Parlamento Europeu estão nos estágios iniciais do longo processo legislativo necessário para que as novas regras se tornem obrigatórias — um caminho que, segundo o texto analisado, provavelmente passará por alterações significativas antes de se tornar lei.
A Comissão Europeia foi além na segunda-feira e recomendou restringir o uso de recursos do bloco em projetos que envolvam inversores de energia de “fornecedores de alto risco”. O argumento é que esses equipamentos poderiam permitir o desligamento remoto das redes elétricas de um Estado-membro — acrescentando uma dimensão de segurança energética ao debate.
A pressão ocidental sobre a cadeia tecnológica chinesa vai além da Europa: os EUA também ordenaram que gigantes de semicondutores como Lam Research e Applied Materials cortassem o fornecimento de ferramentas à Hua Hong, segunda maior fabricante de chips da China. Entenda como funciona o bloqueio americano à indústria de chips chinesa.
A Huawei, um dos principais alvos do plano europeu, criticou publicamente a iniciativa. A fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações deve ser diretamente impactada pelas restrições, especialmente em infraestrutura de redes de quinta geração — segmento em que a empresa detém posição de liderança global.
Pequim não ficou em silêncio: na semana passada, o governo chinês ameaçou adotar medidas de retaliação contra o bloco caso o plano avance. A China é um dos maiores parceiros comerciais da UE, e uma ruptura em 18 setores simultâneos representa um risco econômico e geopolítico de escala inédita para ambos os lados.
A CCCEU, entidade que encomendou o estudo, representa empresas chinesas com operações na Europa e tem interesse direto em influenciar o debate legislativo. O relatório assinado pela KPMG funciona como contraponto formal às justificativas de segurança nacional invocadas pelos defensores do banimento — e chega num momento em que o Parlamento Europeu ainda pode moldar o texto final das novas regras.
