A articulação política do PT entrou na votação de Jorge Messias ao STF com uma lista de 45 votos garantidos — e saiu com apenas 34. No total, 42 senadores votaram contra, selando a primeira rejeição de uma indicação presidencial ao Supremo desde 1894.
Entre os ‘votos certos’ listados pelo partido estavam o do senador Ciro Nogueira (PP), ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, sete parlamentares do PL e a ex-ministra Tereza Cristina — todos aliados do ex-presidente que o PT esperava atrair para o campo governista.
A lista que não se confirmou
A planilha interna do PT dividia o Senado em três grupos: 45 favoráveis, 21 em dúvida e apenas 17 contrários. Na coluna das dúvidas, o partido incluía sete senadores do PL — Romário, Izalci Lucas, Marcos Rogério, Wellington Fagundes, Wilder Moraes, Styverson Valentin e Zequinha Marinho. Também eram tratados como indefinidos Rodrigo Pacheco, então presidente do Senado e nome preferido de Davi Alcolumbre para a vaga, e a ex-ministra Tereza Cristina.
A realidade foi radicalmente diferente. Messias encerrou a votação com 34 votos a favor e 42 contrários — uma margem de derrota que nenhuma leitura interna do governo havia sequer esboçado. Na véspera da votação, aliados do governo projetavam entre 43 e 48 votos favoráveis a Messias, otimismo que se revelou ainda mais infundado do que a própria lista do PT sugeria.
Quando o documento chegou às mãos do senador Randolfe Rodrigues (PT), líder do governo no Congresso, ele ligou imediatamente para o Palácio e avisou que os números estavam errados. Randolfe confiava mais na contagem do presidente do Senado, Davi Alcolumbre: pelas estimativas dele, Messias nunca teve mais de 25 votos seguros, enquanto 35 parlamentares já estavam convictos pela rejeição.
O aviso ignorado duas semanas antes
O sinal de alerta havia chegado com antecedência suficiente para mudar o rumo da estratégia. Quinze dias antes da sabatina, Alcolumbre procurou José Dirceu e foi direto: a indicação estava condenada. Dirceu repassou a mensagem a ministros do PT, mas foi tranquilizado — a aprovação estava garantida.
No dia da sabatina, enquanto o governo mobilizava ministros e ex-ministros nos corredores do Senado, a aritmética já era desfavorável, com 35 parlamentares declarados contrários à indicação.
A versão que isentaria a articulação do PT atribui a derrota a uma ofensiva articulada nos dias imediatamente anteriores à votação. A cronologia, porém, contradiz essa narrativa: o aviso de Alcolumbre a Dirceu antecedeu o placar final em duas semanas inteiras. No campo governista, parte da responsabilidade recai sobre o ministro do STF Flavio Dino — embora sua suplente no mandato de senador, Ana Paula, constasse como voto certo na lista interna do PT.
