A Spirit Airlines confirmou neste domingo (3) que a maioria dos passageiros já foi reembolsada após o encerramento abrupto das operações da companhia. Os cancelamentos ocorreram na manhã de sábado, deixando viajantes e tripulantes presos nos EUA, no Caribe e na América Latina.
Mais de 4.000 voos domésticos estavam programados até 15 de maio, segundo a empresa de análise de aviação Cirium. Cerca de 1,5 mil tripulantes foram realocados para suas bases de origem ao longo do fim de semana.
A Spirit já vinha acumulando pressões financeiras quando a guerra entre os EUA e o Irã provocou uma disparada nos preços do combustível de aviação, tornando a operação insustentável. A companhia havia passado por duas falências após a tentativa de fusão com a JetBlue ser bloqueada pela administração Biden, em 2024.
O colapso da Spirit segue um padrão já visto em outras partes do mundo: o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã fez o preço do querosene dobrar em semanas, forçando Lufthansa e KLM a cortar centenas de voos ainda em abril. Para as aéreas de baixo custo, com margens operacionais menores, o impacto foi ainda mais severo.
A pressão de custos tem raiz direta no conflito: desde o início da guerra EUA-Irã, o WTI acumulava alta de quase 70% — uma das valorizações mais abruptas da história recente do petróleo bruto americano.
Como ficam os reembolsos
A maioria dos clientes que reservaram com cartões de crédito ou débito já recebeu o estorno. Uma pequena parcela ainda está em processamento. A empresa alertou que os valores podem levar algum tempo para aparecer nas contas dos clientes.
Jessica Stanton, viajante que havia voado de Myrtle Beach para Boston para sua formatura universitária, recebeu na sexta-feira (1º) um e-mail informando que seu voo de retorno havia sido cancelado — um dos milhares de casos que marcaram o encerramento da companhia.
Concorrentes absorvem passageiros da Spirit
A saída abrupta da Spirit abriu espaço imediato no mercado doméstico americano. Frontier, JetBlue e Southwest introduziram tarifas promocionais e anunciaram novos voos para o verão americano, mirando os passageiros deixados sem opção.
Delta e American Airlines também reduziram temporariamente os preços em rotas onde a Spirit atuava, aproveitando o vácuo deixado pela low-cost.
O encerramento reacende o debate sobre a resiliência das aéreas de baixo custo diante de choques externos de custos. Companhias que operam com margens estreitas e frotas enxutas são as primeiras a sucumbir quando o preço do querosene dispara — e o conflito no Oriente Médio mostrou que esse risco pode se materializar em questão de semanas.
Com a Spirit fora do ar, o segmento de passagens ultrabaratas nos EUA perde um de seus principais players, alterando a dinâmica de preços em dezenas de rotas domésticas e regionais nas Américas.
