Uma mobilização incomum tomou os corredores do Senado nesta quarta-feira (29): ministros em exercício, ex-ministros que retomaram mandatos e aliados políticos de peso se reuniram na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para acompanhar a sabatina de Jorge Messias, advogado-geral da União e indicado do presidente Lula a uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
A votação, secreta e realizada no plenário após o encerramento da sabatina, deve acontecer ainda nesta quarta. Para ser confirmado, Messias precisa de ao menos 41 dos 81 senadores — maioria absoluta. O governo diz ter 25 votos garantidos, enquanto 35 parlamentares já se declararam contrários e 21 permanecem indecisos.
Quem foi à sabatina e por quê
Messias chegou à mesa da CCJ flanqueado por José Múcio, ministro da Defesa, e por Silvio Costa Filho, deputado federal pelo Republicanos-PE e ex-ministro de Portos e Aeroportos. A presença de Múcio não foi improviso: na véspera, o ministro já havia confirmado que estaria na sabatina como ato pessoal de amizade — gesto descrito como incomum para a pasta da Defesa. Leia mais sobre a movimentação de Múcio na véspera da sabatina.
Pelo lado do Senado, o bloco governista reuniu figuras que acumulam mandato e história no governo Lula. Renan Filho (MDB-AL), ex-ministro dos Transportes, compareceu como senador. Wellington Dias, que chefiava o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, se licenciou do cargo na terça-feira (28) para retomar o assento no Senado e participar da votação. Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, além de elogiar o currículo de Messias, questionou o indicado sobre o caso Master e o eventual comprometimento institucional do STF na questão.
O caminho até esta quarta-feira foi aberto há duas semanas, quando a CCJ leu o parecer favorável do relator Weverton Rocha e oficializou o dia 29 de abril como data da sabatina e da votação no plenário. Veja como foi a leitura do relatório favorável a Messias na CCJ.
Aritmética apertada
A equação política do governo é delicada. Com 25 votos considerados seguros e 35 declaradamente contrários, o destino da indicação depende dos 21 senadores que ainda não sinalizaram. O clima no Congresso aponta para uma sabatina longa e uma votação que pode ser definida por uma margem mínima.
A presença de João Campos, presidente do PSB e pré-candidato ao governo de Pernambuco, também chamou atenção. Apoiado por Lula, o ex-prefeito de Recife aparece com 46% das intenções de voto na última pesquisa Quaest e sua ida à sabatina reforça a sinalização de alinhamento com o Palácio do Planalto em momento politicamente sensível.
Dentro da sala, o clima foi de intensa disputa discursiva. Enquanto a base governista exaltava o currículo e o perfil institucional do candidato, a oposição pressionava com questionamentos sobre independência e sobre o próprio papel do STF em casos recentes. Em meio à movimentação política nas galerias, Messias se emocionou ao narrar sua trajetória e declarou que ‘a democracia começa pela ética dos nossos juízes’. Leia a cobertura completa da fala de Messias na sabatina.
A votação secreta no plenário, prevista para ocorrer ainda nesta quarta-feira, será o desfecho de semanas de articulação intensa dos dois lados. O resultado definirá não apenas a composição do Supremo, mas também o grau de influência que o governo Lula ainda consegue exercer sobre o Senado a menos de um ano das eleições de 2026.
