O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta segunda-feira (20) que ainda não foi notificado sobre sua inclusão no inquérito das fake news, no Supremo Tribunal Federal.
A declaração foi dada em entrevista à GloboNews, horas depois de o ministro Gilmar Mendes ingressar com uma notícia-crime contra Zema motivada por um vídeo publicado nas redes sociais com críticas diretas ao STF e a seus ministros.
O vídeo em questão foi publicado no mês passado e retrata os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli como fantoches, no contexto das investigações do caso Master. O conteúdo motivou Gilmar Mendes a formalizar pedido ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, para que Zema fosse incluído nas apurações.
O ministro Gilmar Mendes havia formalizado o pedido horas antes, nesta mesma segunda-feira, após as publicações de Zema nas redes sociais com críticas diretas ao Supremo e ao próprio ministro.
O inquérito das fake news
Aberto em março de 2019 pelo então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, o inquérito tem como objetivo apurar a disseminação de notícias falsas, ameaças e ataques contra ministros da Corte e contra o sistema democrático. Alexandre de Moraes é o relator desde o início.
A investigação busca identificar estruturas organizadas que atuem para desacreditar instituições, intimidar autoridades e fomentar discursos antidemocráticos — especialmente por meio das redes sociais. O inquérito é alvo de polêmicas desde sua instauração.
Na mesma entrevista, Zema foi questionado sobre a possibilidade de integrar como vice a chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026. O pré-candidato do Novo rejeitou a ideia e afirmou que levará sua candidatura à presidência até o final do processo eleitoral.
Para justificar a decisão, Zema disse que “combater a farra dos intocáveis” — expressão que usa como referência às menções de nomes de ministros do STF nas investigações do caso Master — é agora mais um motivo para seguir na disputa.
O pré-candidato também foi questionado sobre anistia aos condenados pelos atos de vandalismo de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, tema central na agenda da direita. Zema foi enfático a favor da concessão e voltou a fazer provocações aos ministros do Supremo.
A expansão do inquérito chega em momento delicado. O presidente do STF, Edson Fachin, havia sinalizado diálogo com Moraes para definir um prazo de encerramento do próprio inquérito das fake news, o que torna a inclusão de Zema ainda mais simbólica a seis meses das eleições.
