O ministro Gilmar Mendes pediu nesta segunda-feira (20) ao colega Alexandre de Moraes que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), seja incluído no inquérito das fake news, investigação aberta pelo STF em 2019.
O pedido foi confirmado pelo próprio Gilmar e ocorre após publicações de Zema nas redes sociais com críticas diretas ao Supremo e ao ministro.
O inquérito das fake news
Instaurado em março de 2019 de ofício pelo então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, o inquérito das fake news tem Alexandre de Moraes como relator. O objetivo é apurar a atuação de estruturas organizadas que disseminam notícias falsas, ameaçam autoridades e estimulam discursos contrários à democracia — especialmente pelas redes sociais.
Desde sua abertura, a investigação é alvo de polêmicas. O pedido para incluir o governador de Minas representa uma nova frente de conflito entre o STF e lideranças políticas que se posicionaram publicamente contra a Corte.
O movimento de Gilmar chega em momento delicado para o inquérito. Em março, o presidente do STF, Edson Fachin, havia revelado que mantém diálogo com Moraes para definir um prazo de encerramento da investigação, aberta há sete anos.
Padrão de acionamentos recentes
O pedido contra Zema se encaixa em uma sequência de iniciativas jurídicas recentes do ministro contra pessoas que o criticaram. Na semana passada, Gilmar havia acionado a Procuradoria-Geral da República para investigar o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado que propôs o indiciamento do próprio ministro.
A eventual inclusão de um governador eleito no inquérito das fake news representa uma escalada no conflito entre o Executivo mineiro e o STF, alimentado pelas publicações de Zema com críticas à Corte nas redes sociais.
