O ministro Luis Felipe Salomão foi eleito nesta terça-feira (13) novo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A votação, secreta e unânime, seguiu a tradição da corte de respeitar a ordem de antiguidade para a composição da mesa diretora.
O ministro Mauro Campbell Marques ocupará a vice-presidência. A posse está marcada para agosto, quando o atual presidente, Herman Benjamin, deixa o cargo. A nova gestão terá duração de dois anos.
O STJ também indicou o ministro Benedito Gonçalves para a Corregedoria Nacional de Justiça no CNJ — cargo que ainda depende de sabatina e aprovação pelo Senado.
Perfil do novo presidente
Natural de Salvador (BA), Salomão é formado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Antes de chegar ao STJ, atuou como promotor de Justiça em São Paulo, juiz e desembargador no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Chegou à corte em junho de 2008, por indicação do então presidente Lula. Em sua trajetória no tribunal, presidiu a comissão de juristas do Senado que ampliou a arbitragem e criou a mediação no Brasil. Também coordenou, em 2023, a comissão responsável pelo anteprojeto de reforma do Código Civil.
É professor emérito da Escola da Magistratura do Rio de Janeiro e da Escola Paulista da Magistratura, além de doutor honoris causa em ciências sociais e humanas pela Universidade Candido Mendes. Publicou livros e artigos sobre arbitragem, juizados especiais e direito civil.
O novo vice-presidente
Mauro Campbell Marques também chegou ao STJ em 2008, igualmente por indicação de Lula, ocupando uma das cadeiras reservadas ao Ministério Público. Natural de Manaus (AM), graduou-se em Direito pelo Centro Universitário Metodista Bennett.
No Amazonas, foi promotor e exerceu por três vezes o cargo de procurador-geral de Justiça. Atualmente ocupa a Corregedoria Nacional de Justiça — função que passará a Benedito Gonçalves caso a indicação seja confirmada pelo Senado. Campbell também coordenou a comissão da Câmara dos Deputados para atualização da Lei de Improbidade Administrativa.
Benedito Gonçalves no CNJ
Ministro do STJ desde agosto de 2008, Benedito Gonçalves é o único negro da corte. Natural do Rio de Janeiro, formou-se em Direito pela UFRJ e ingressou na magistratura em 1988, atuando no Rio Grande do Sul antes de chegar ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, onde foi desembargador federal e corregedor da Justiça Eleitoral.
Ao longo de sua trajetória no STJ, liderou iniciativas de combate ao racismo e presidiu a comissão de juristas da Câmara dos Deputados para propor mudanças na legislação antirracismo. A indicação para a Corregedoria Nacional de Justiça representa um novo capítulo em uma carreira marcada pelo enfrentamento às desigualdades raciais no sistema judiciário.
Herman Benjamin, que permanece na presidência até agosto, afirmou que a votação unânime demonstra a união e harmonia do tribunal. A eleição simbólica, por tradição, não gera disputa — apenas formaliza o revezamento previsto pelo critério de antiguidade da corte.
A nova cúpula assume em meio ao ciclo eleitoral de 2026, o que coloca o STJ no centro das atenções institucionais nos próximos meses. A sabatina de Benedito Gonçalves no Senado ainda não tem data definida.
