O ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem está detido em cela separada no Departamento de Correções de Orange County, em Orlando, na Flórida, desde segunda-feira (13). Seu nome já aparece no sistema online de detentos da agência, que também disponibiliza contatos para familiares.
O status registrado no sistema é in transit — “em trânsito” —, o que sinaliza possível transferência para outra unidade antes de qualquer decisão sobre deportação. Um oficial de imigração deve entrevistá-lo para determinar os próximos passos.
A detenção foi confirmada pela Polícia Federal brasileira: Ramagem foi preso pelo Serviço de Imigração e Fronteiras dos EUA, o ICE, por irregularidades em seu status migratório. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, classificou a prisão como resultado direto da cooperação bilateral entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado.
“Ramagem é um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular”, afirmou Rodrigues. O governo brasileiro aguarda mais informações sobre como será conduzido o processo de retorno ao país.
Ramagem havia cruzado clandestinamente a fronteira brasileira por Roraima em setembro de 2025, entrado na Guiana de carro e embarcado para os EUA a partir de Georgetown — rota inteiramente reconstituída pela Polícia Federal antes da prisão. Sua localização em Orlando foi selada por um detalhe aparentemente banal: o carro utilizado para buscar sua esposa no aeroporto acabou entregando o esconderijo às autoridades, após meses de trabalho de inteligência.
Ramagem deixou o Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por integrar o núcleo da trama golpista que visava manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições de 2022.
De delegado federal a condenado por golpe
Delegado da Polícia Federal desde 2005, Ramagem ganhou projeção nacional ao chefiar a segurança de Bolsonaro após o atentado em Juiz de Fora, durante a campanha presidencial de 2018. Na sequência, foi nomeado diretor da Agência Brasileira de Inteligência.
Sua gestão na Abin tornou-se alvo do escândalo conhecido como “Abin Paralela”, investigação que apura o uso ilegal da estrutura do órgão para monitorar adversários políticos. Em 2020, Bolsonaro tentou nomeá-lo diretor-geral da Polícia Federal, mas o ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu a nomeação pela proximidade pessoal com a família presidencial.
Eleito deputado federal pelo PL-RJ em 2022, com cerca de 59 mil votos, teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara em dezembro de 2025, após a condenação criminal. Em 2024, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro e terminou em segundo lugar.
