A JBS, maior processadora de carnes do mundo, chegou a um acordo provisório com trabalhadores em greve na unidade de Greeley, no Colorado (EUA), encerrando uma paralisação que durou um mês.
O pacto de dois anos cobre cerca de 3,8 mil funcionários e prevê reajuste salarial de quase 33%, eliminação da cobrança por equipamentos de proteção individual e proteção contra aumentos nos custos de saúde.
O acordo foi formalizado após rodada de negociações nos dias 9 e 10 de abril, com ratificação pelos trabalhadores divulgada no domingo (12). A paralisação havia começado em março, quando cerca de 3,8 mil trabalhadores da unidade de Greeley cruzaram os braços pela primeira vez desde os anos 1980, pressionando por reajustes alinhados à inflação e pelo fim da cobrança por equipamentos de proteção individual.
Pelos termos acertados, os funcionários receberão aumento de quase 33% ao longo de dois anos. O sindicato United Food and Commercial Workers Local 7 (UFCW Local 7) confirmou que o acordo ainda elimina os custos de EPIs arcados pelos trabalhadores e garante proteção contra altas nas despesas com saúde.
A JBS afirmou estar satisfeita com o resultado, mas lamentou a retirada de um benefício previdenciário histórico que integrava o pacote anterior. Como contrapartida, o sindicato concordou em retirar sete acusações formais de práticas trabalhistas injustas registradas contra a empresa durante o conflito.
O desfecho chega em momento crítico para o setor de carnes nos Estados Unidos. Os preços da carne bovina bateram recordes em 2026, reflexo da queda da oferta de gado ao nível mais baixo dos últimos 75 anos — forçando frigoríficos a competir por animais para abate mesmo com margens pressionadas.
O cenário já vinha se agravando com movimentos da Tyson Foods, que fechou uma fábrica em Nebraska e reduziu operações no Texas neste ano, comprimindo ainda mais a capacidade produtiva nacional. A greve em Greeley aprofundou essa equação, retirando do mercado uma das maiores plantas de processamento de carne bovina dos EUA.
Para a JBS — empresa brasileira com operações globais —, o acordo representa a retomada de sua principal unidade norte-americana num momento em que a alta histórica dos preços da carne bovina torna cada dia de paralisação especialmente oneroso. A estabilidade no Colorado é, portanto, estratégica tanto para a companhia quanto para o abastecimento do mercado americano.
