Pela quinta semana consecutiva, o mercado financeiro elevou sua projeção de inflação para 2026 e passou a prever estouro da meta. O IPCA esperado saltou de 4,36% para 4,71% — superando o teto estabelecido pelo Banco Central.
O principal gatilho é a guerra no Oriente Médio, que fez o barril de petróleo ultrapassar US$ 100 nesta segunda-feira (13) e aumenta a pressão sobre os combustíveis no Brasil.
Os dados constam do Boletim Focus divulgado hoje pelo BC, com base em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.
Petróleo acima de US$ 100 pressiona os preços internos
O mecanismo é direto: com o conflito armado no Oriente Médio elevando o preço do barril, o custo dos combustíveis sobe no Brasil — e esse efeito se espalha por toda a cadeia produtiva, do frete ao supermercado.
A inflação de março, divulgada pelo IBGE na semana passada, já registra esse impacto. O IPCA avançou 0,88% no mês, acima do que o mercado esperava, numa aceleração atribuída diretamente ao encarecimento do petróleo.
O ciclo de revisões começou em março, quando o petróleo cruzou a marca de US$ 100 pela primeira vez e o mercado elevou as projeções de inflação de 3,91% para 4,10% — cinco semanas depois, a estimativa já está em 4,71%.
Na semana anterior, o Focus já havia registrado a quarta alta consecutiva na projeção, com o IPCA estimado em 4,36% — desta vez, a revisão foi ainda mais acentuada e levou a estimativa ao patamar que supera o teto da meta.
Mesmo com o ambiente inflacionário, o mercado financeiro manteve a aposta em queda dos juros. A taxa Selic está em 14,75% ao ano após o primeiro corte em quase dois anos, autorizado pelo BC na semana passada.
O Ministério da Fazenda havia alertado em março que, no cenário com o barril a US$ 100, a inflação ultrapassaria 4% — o Focus desta semana não apenas confirma esse cenário como já o supera, com projeção de 4,71%.
PIB e câmbio: projeções seguem estáveis
Apesar da revisão inflacionária, as estimativas para o crescimento econômico não se alteraram. O mercado manteve em 1,85% a projeção de expansão do PIB para 2026 — abaixo do crescimento de 2,3% registrado no ano passado, conforme o IBGE. Para 2027, a previsão também foi mantida em 1,8%.
No câmbio, houve leve melhora nas estimativas. Os analistas reduziram a projeção para o dólar ao fim de 2026, de R$ 5,40 para R$ 5,37. Para 2027, a estimativa caiu de R$ 5,45 para R$ 5,40.
O avanço da inflação corrói o poder de compra, especialmente de quem recebe salários mais baixos. Quando os preços sobem mais rápido do que os rendimentos, o orçamento das famílias encolhe — e itens básicos como alimentos e combustíveis são os mais sensíveis a esse movimento.
