O preço do petróleo subiu com força nesta quinta-feira (9) após o colapso prático do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã — acordo que durou menos de 24 horas em vigor antes de novos ataques reacenderem as tensões na região.
O Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde circula grande parte do petróleo mundial, voltou a ter restrições poucas horas depois de ser reaberto como parte da trégua.
O alívio visto na quarta-feira, quando o mercado recuou com o anúncio da pausa de duas semanas nos combates, se desfez rapidamente diante de novos episódios bélicos.
O que aconteceu com o cessar-fogo
O acordo previa uma pausa de duas semanas nos ataques e a liberação do Estreito de Ormuz para o tráfego de petróleo. A passagem, no entanto, ficou aberta por poucas horas antes de as restrições serem reimpostas — esvaziando o principal ganho comercial da trégua.
Paralelamente, novos ataques foram registrados na região. Israel intensificou bombardeios no Líbano contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. Países do Golfo, como Arábia Saudita e Kuwait, relataram ataques com mísseis e drones, ampliando o clima de instabilidade.
Três dias antes, o Irã já havia rejeitado a reabertura imediata do Estreito de Ormuz em uma proposta de cessar-fogo — o mesmo padrão de alívio seguido de nova tensão que o mercado voltou a viver nesta quinta.
Reação das bolsas asiáticas
Nas bolsas da Ásia, o clima foi de cautela generalizada. China e Hong Kong fecharam no vermelho: o índice de Xangai recuou 0,72%, o CSI300 caiu 0,64% e o Hang Seng, de Hong Kong, teve baixa de 0,54%.
O Nikkei japonês cedeu 0,73% e o Kospi sul-coreano registrou a maior queda da região, com recuo de 1,61%. A exceção ficou com a Austrália, cuja bolsa subiu 0,24%, operando na contramão dos vizinhos.
Analistas do banco MUFG avaliaram que o cessar-fogo já exibe sinais evidentes de fragilidade, mesmo com poucos dias de vigência. A percepção de que o acordo pode se desfazer rapidamente é o principal combustível para a alta do petróleo: quando a oferta fica ameaçada, os preços reagem para cima.
Além da geopolítica, investidores aguardam novos indicadores da economia da China. Os dados podem mostrar como está a demanda global por petróleo — e servir como sinal sobre a trajetória dos preços nas próximas semanas.
O cenário combina dois fatores de pressão simultâneos: a instabilidade no fornecimento, provocada pelos conflitos no Oriente Médio, e a incerteza sobre a demanda, ligada ao desempenho da economia chinesa. Para o mercado, a equação ainda não tem resposta clara.
