A Petrobras elevou nesta quarta-feira (1º) em mais de 50% o preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras — e o governo federal já se movimenta para evitar que o reajuste chegue às passagens.
O Ministério de Portos e Aeroportos elaborou uma proposta com medidas emergenciais e a enviou ao Ministério da Fazenda. A alta tem como pano de fundo o conflito no Oriente Médio, que pressiona os preços globais do combustível.
O QAV responde por cerca de 30% do custo de uma passagem aérea, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Com um reajuste desta magnitude, o setor alerta para “consequências severas” — ainda sem anunciar oficialmente aumento de tarifas.
A proposta enviada ao Ministério da Fazenda foi elaborada pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC). O documento traz sugestões voltadas a preservar a competitividade das companhias, evitar repasses excessivos ao consumidor e manter a conectividade aérea do país.
Outra medida em avaliação é a criação de uma linha emergencial no Fundo Nacional da Aviação Civil (FNAC) para financiar a compra de QAV pelas companhias. A iniciativa teria caráter temporário.
Desde o início da guerra, o querosene de aviação já havia dobrado de preço no mercado global — forçando companhias europeias e asiáticas a elevar tarifas e cancelar rotas antes mesmo de a Petrobras anunciar o reajuste no Brasil. Leia mais sobre o impacto global da alta do QAV.
O Ministério da Fazenda afirmou que acompanha “de forma permanente a evolução do cenário internacional, incluindo os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus potenciais impactos sobre a economia brasileira” — mas não detalhou quais providências concretas seriam adotadas.
O movimento repete o padrão adotado semanas atrás, quando o governo montou às pressas um pacote de R$ 30 bilhões em isenções fiscais para tentar conter o repasse do diesel ao consumidor — com resultados limitados. Entenda como funcionou a resposta emergencial ao reajuste do diesel.
A Abear não chegou a anunciar reajuste de passagens até o momento da publicação, mas deixou aberto o alerta sobre impactos “severos” no setor aéreo brasileiro.
