Jair Bolsonaro deixou o hospital DF Star, em Brasília, na manhã desta sexta-feira (27) e seguiu diretamente para prisão domiciliar humanitária. A transferência, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, tem prazo inicial de 90 dias.
O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. Com o benefício, ele volta a usar tornozeleira eletrônica e permanece em casa durante a recuperação de uma broncopneumonia bacteriana.
Bolsonaro saiu do hospital por volta de 10h, em um carro descaracterizado e sem escolta policial. A ex-primeira-dama Michelle deixou o local separadamente, em veículo próprio. Cerca de 20 minutos depois, o ex-presidente chegou ao condomínio no bairro Jardim Botânico, onde apareceu no jardim da residência usando um colete à prova de balas.
Decisão e condições da domiciliar
A prisão domiciliar foi autorizada por Moraes na terça-feira (24), após a PGR emitir parecer favorável reconhecendo a gravidade do quadro clínico — decisão que impõe tornozeleira eletrônica e vedação total ao uso de redes sociais e meios de comunicação.
O ministro acolheu os argumentos da defesa, que sustentou a necessidade de um ambiente adequado para a recuperação plena do ex-presidente. Ao final dos 90 dias, Bolsonaro passará por nova perícia médica oficial para definir se retorna ao estabelecimento prisional ou se o benefício humanitário será prorrogado.
Bolsonaro estava internado desde 13 de março com broncopneumonia bacteriana causada por um episódio de broncoaspiração. Ele passou dez dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) antes de ser transferido para um quarto na segunda-feira (23). Dois dias antes da alta, o cardiologista Brasil Caiado já havia confirmado a saída prevista para esta sexta e revelado que uma cama especial foi providenciada na residência para reduzir riscos de refluxo, descrito como ‘um problema quase central’ do paciente.
Ao conceder o benefício, Moraes fez questão de ressaltar que a estrutura da Papudinha — o 19º Batalhão da PM onde o ex-presidente cumpria pena — era “eficiente e eficaz”, com atendimento imediato e monitoramento médico três vezes ao dia. A concessão, segundo o ministro, se justifica exclusivamente pelo quadro clínico.
Quando a domiciliar foi concedida, Bolsonaro havia cumprido apenas 119 dias de prisão efetiva — o equivalente a 1,2% de sua pena de 27 anos e 3 meses, após uma trajetória que passou pela Polícia Federal, pela Papudinha e pelo hospital DF Star.
