Política

Bolsonaro obtém prisão domiciliar após cumprir 1,2% de pena por golpe

Com 119 dias de cadeia em 27 anos de condenação, ex-presidente deixa o regime fechado por motivo de saúde
Bolsonaro no STF com iluminação dramática ao entardecer, refletindo decisão de prisão domiciliar por motivos de saúde

Com apenas 119 dias de prisão efetivamente cumpridos — o equivalente a 1,2% de uma pena de 27 anos e 3 meses —, Jair Bolsonaro recebeu nesta terça-feira (24) o direito à prisão domiciliar por 90 dias.

A decisão é do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e foi precedida por manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República. O ex-presidente está internado no hospital DF Star, em Brasília, desde 13 de março, com pneumonia decorrente de broncoaspiração.

Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF, em setembro de 2025, a 27 anos e 3 meses de reclusão por tentativa de golpe de Estado. O cumprimento formal da pena, contudo, só teve início em 25 de novembro do mesmo ano — após o encerramento do processo penal da trama golpista.

Antes disso, o ex-presidente já se encontrava preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federal. Em 4 de agosto de 2025, Moraes havia convertido uma prisão domiciliar em preventiva após Bolsonaro usar redes sociais de aliados para divulgar mensagens com, nas palavras do ministro, “claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao STF e apoio ostensivo à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro”. A prisão preventiva foi autorizada formalmente em 22 de novembro, quando Moraes apontou alto risco de fuga e violação de tornozeleira eletrônica.

Da PF à Papudinha

Em 15 de janeiro de 2026, atendendo a pedidos da defesa e da família, Moraes autorizou a transferência de Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, o Papudinha. O ministro destacou que a nova cela — uma sala de Estado-Maior de 54,7 m², com quarto, sala, cozinha, banheiro, lavanderia e área externa de 10 m² — oferecia “condições ainda mais favoráveis” ao ex-presidente, incluindo fisioterapia, alimentação especial, banhos de sol e assistência médica particular nas 24 horas.

A internação no DF Star, em 13 de março, foi o elemento que reabriu o debate sobre a domiciliar. Na véspera da decisão desta terça, a PGR enviou ao STF parecer em que o procurador-geral Paulo Gonet afirmou que “a evolução clínica do ex-presidente recomenda a flexibilização do regime”. Gonet argumentou que o estado de saúde de Bolsonaro e suas comorbidades expõem sua integridade a risco iminente e que o ambiente familiar, e não o sistema prisional, é o único apto a oferecer a atenção constante necessária. A pressão pela domiciliar não veio só da defesa: 175 deputados federais haviam protocolado pedido formal no STF durante a internação, argumentando que as condições de saúde do ex-presidente exigiam tratamento fora da Papudinha.

Virada em relação à posição anterior do STF

Apenas duas semanas antes da concessão da domiciliar, a Primeira Turma do STF havia rejeitado pedido idêntico da defesa, com Moraes argumentando que a Papudinha atendia integralmente às necessidades médicas do ex-presidente. A reversão desta terça reflete a piora do quadro clínico documentada pela equipe médica durante a internação.

O episódio que desencadeou o processo ocorreu em 13 de março, quando Bolsonaro passou mal na Papudinha e precisou ser transferido de emergência ao DF Star com saturação de oxigênio a 80% — menos de uma semana após o STF ter negado a domiciliar. Na segunda-feira (23), ele foi transferido da UTI para o quarto após melhora clínica, mas ainda sem previsão de alta.

A pena de 27 anos e 3 meses equivale a 327 meses. Os 119 dias cumpridos em regime fechado representam cerca de quatro meses — pouco menos de 4 meses de reclusão efetiva antes da transição para o domiciliar. A concessão por 90 dias deixa em aberto o que ocorre ao término desse prazo, a depender da evolução do estado de saúde e de nova avaliação do STF.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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