O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, se reúne nesta quinta-feira (26) com o presidente Lula no Aeroporto Santos Dumont. O encontro marca o primeiro contato direto entre os dois desde que Couto assumiu o Palácio Guanabara, após a renúncia de Cláudio Castro na segunda-feira (23).
Na pauta: um pedido formal de readequação das condições de pagamento da dívida do Rio de Janeiro com a União, em meio a um déficit projetado de R$ 19 bilhões para 2026.
A situação fiscal do estado é crítica. A lei orçamentária vigente já reconhece que o Rio gastará mais do que arrecadará ao longo deste ano — um rombo de R$ 19 bilhões que reforça a urgência do pedido levado por Couto a Brasília.
Além da renegociação da dívida, o governador interino enfrenta outro entrave: o Rio ainda não foi incluído no PROPAG — Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, iniciativa federal voltada a estados com desequilíbrio fiscal estrutural. A ausência no programa priva o Rio de condições diferenciadas de pagamento justamente no momento em que o caixa estadual está mais pressionado.
Eleição indireta define o próximo governador
Couto, desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Rio, assumiu o cargo em caráter temporário. Ele deve permanecer à frente do governo estadual até que a Assembleia Legislativa eleja, em votação indireta, o nome que completará o mandato até dezembro de 2026 — período que seria de Castro.
A reunião com Lula ocorre três dias após o TSE confirmar que a sucessão ao governo do Rio será definida por eleição indireta na Alerj, processo que mantém Couto no cargo até que os deputados escolham o novo governador.
Couto assumiu o Palácio Guanabara após a renúncia de Cláudio Castro na segunda-feira — saída que a defesa do ex-governador já estudava como estratégia para escapar da cassação no TSE, mas que não impediu a inelegibilidade do ex-governador.
O passivo fiscal herdado não é novidade: o Rio acumula histórico de desequilíbrio nas contas públicas e já passou por rodadas anteriores de renegociação com o governo federal. O encontro no Santos Dumont, embora sem o protocolo de uma visita oficial ao Planalto, tem peso político considerável: é a primeira oportunidade de Couto estabelecer uma relação direta com Lula e sinalizar a disposição do novo comando estadual para enfrentar o rombo nas finanças.
O governo interino terá prazo curto para avançar nas negociações — a eleição indireta na Alerj deve definir em breve o nome que assumirá o estado em definitivo até o fim do ano.
