A guerra no Irã desencadeou uma reação em cadeia que já pressiona o bolso do brasileiro: o preço do frete acumula alta média de 10% no país, com picos que ultrapassam 50% em algumas regiões.
O diesel, responsável por até metade dos custos do transporte rodoviário, é o vetor central da crise. Com o combustível mais caro, transportadoras repassam os valores aos contratantes — e o reflexo chega ao consumidor final.
Cascata de reajustes nas estradas
Um levantamento da Associação Nacional de Transportes de Cargas e Logística confirma a tendência: o setor já registra alta generalizada nos valores cobrados pelo transporte de mercadorias em todo o Brasil.
Em Guarulhos, na Grande São Paulo, uma transportadora já elevou o frete em 12%. Luigi Rosolen, diretor da West Cargo, reconhece as queixas que chegam dos clientes: “O mercado está volátil e tudo vem subindo.”
O professor de economia do Insper Otto Nogami aponta que o impacto é amplificado pela forte dependência do modal rodoviário no Brasil — qualquer variação no preço do diesel representa um choque estrutural para toda a cadeia logística nacional.
A pressão tem raiz no conflito no Oriente Médio, que perturbou a oferta global de petróleo e empurrou o combustível às alturas. O diesel acumulou alta de 25% em menos de um mês no Brasil, com estados como Tocantins registrando aumento de 37% — o que explica por que o frete sobe em cascata de norte a sul do país. Entenda como o diesel disparou nas bombas em todo o Brasil
Conab cancela contratos e Petrobras acelera entregas
No campo, as consequências já são concretas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) cancelou contratos de frete em razão da alta do combustível e analisa outros casos individualmente. A medida visa garantir o escoamento de grãos e preservar o programa de venda em balcão, que facilita o acesso de pequenos produtores a insumos agrícolas.
Do lado do refino, a Petrobras informou que todas as refinarias operam em capacidade máxima. A estatal antecipou as entregas de março com volume até 15% acima do previamente negociado com distribuidoras e afirma cumprir todos os compromissos comerciais.
Mesmo com a produção em ritmo acelerado, o diesel já chegava a R$ 7,30 antes de o impacto bater no frete — e o pacote de R$ 30 bilhões montado pelo governo federal para tentar conter a alta nas bombas não foi suficiente para evitar os repasses ao longo da cadeia. Veja como o governo tentou — e não conseguiu — segurar o preço do diesel
Economistas alertam que a pressão logística tem potencial de alimentar a inflação de forma mais ampla, especialmente no setor de alimentos, altamente dependente do transporte rodoviário para chegar às prateleiras.