A defesa de Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirma que a modelo desconhecia qualquer plano de transferência de patrimônio milionário para o seu nome. Segundo o advogado Lúcio de Constantino, em entrevista ao Estúdio i, Martha não possui bens vinculados ao empresário e vive atualmente em um apartamento alugado nos Estados Unidos, onde mora há quase 20 anos.
A investigação da Operação Carbono Oculto apontou mensagens em que Vorcaro discutia a criação de um trust (fundo fiduciário) para Martha, com valores que poderiam superar R$ 520 milhões. No entanto, o advogado sustenta que o patrimônio dela permanece o mesmo de antes do relacionamento.
De acordo com a defesa, Martha chegou a pesquisar em ferramentas de inteligência artificial o significado do termo financeiro usado pelo então noivo. Após as mensagens sobre o pedido de seu passaporte para a abertura do fundo, o assunto teria “morrido” nas conversas rotineiras do casal.
“Ela buscou contato com um advogado nos Estados Unidos, que informou não haver nenhum trust em nome dela”, disse o defensor. Sobre os bens de luxo citados nas investigações, como casas em Miami e carros Rolls-Royce, Constantino disse que a modelo desconhece o assunto.
Depoimento nas CPIs
A CPI do Crime Organizado aprovou a convocação de Martha Graeff nesta quarta-feira (18), após a CPMI do INSS já ter aprovado requerimento idêntico na semana passada. A modelo agora enfrenta duas comissões simultâneas.
O advogado afirmou que o depoimento pode estar juridicamente prejudicado, citando uma decisão que teria vedado o acesso a certas mensagens. “Se o interesse de ouvi-la é vinculado a mensagens que foram proibidas, o depoimento fica prejudicado. Não há como fazer um movimento junto a uma prova que foi vedada”, concluiu.
A defesa de Martha negou, em nota, que a modelo e influenciadora tenha patrimônio vinculado ao empresário. Segundo Constantino, a modelo declara o patrimônio em seu “Tax Return”, semelhante à Declaração de Imposto de Renda brasileira. “Registro que demonstra claramente não ter havido nenhum aumento patrimonial em decorrência desse relacionamento”, disse a defesa.
Críticas à exposição
O advogado relatou que Martha Graeff entrou em um quadro de depressão após o vazamento das mensagens íntimas. A defesa classifica a divulgação como uma “violação criminosa” com desvio de finalidade.
“Houve uma degradação da esfera privada. Isso atingiu uma mulher que é mãe de uma menina de 6 anos. Ela ficou consternada pela falta de responsabilidade de quem publicou esses dados”, afirmou Constantino. A defesa estuda medidas judiciais contra a exposição.