A Controladoria-Geral da União (CGU) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) provas do caso Master para avaliar a cassação da aposentadoria do ex-escrivão da PF Marilson Roseno da Silva, ligado a Daniel Vorcaro.
O pedido, feito em ofício de 7 de maio, veio a público nesta quinta-feira (10), quando o STF retirou o sigilo dos autos a pedido do presidente Edson Fachin.
O que a CGU pediu ao STF
No ofício enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso, a CGU solicitou informações bancárias e dados de comunicações — incluindo mensagens de WhatsApp — que possam indicar recebimento de vantagem indevida ou atuação irregular por parte de Marilson. Segundo o documento, o ex-escrivão se aposentou em 15 de agosto de 2022.
A legislação dos servidores públicos federais prevê a cassação da aposentadoria quando o servidor cometeu, ainda na ativa, falta que poderia levar à demissão. Por isso, a CGU precisa reunir provas que esclareçam quando os fatos investigados ocorreram — o que explica o pedido de acesso ao material do caso Master.
O órgão faz questão de frisar que o ofício não determina a cassação nem apresenta conclusão sobre a responsabilidade administrativa do ex-policial. Trata-se apenas de uma solicitação de provas para subsidiar a avaliação, que corre em paralelo à investigação criminal conduzida pela Polícia Federal.
A gravidade da conduta investigada ficou clara em maio, quando mesmo já preso, Marilson continuava recebendo informações sigilosas vazadas por colegas da própria corporação — um indício que reforça o que a CGU agora tenta documentar formalmente para embasar a eventual cassação.
A estrutura conhecida como “A Turma”
Em voto que integra os autos, Mendonça reproduz elementos da investigação que situam Marilson como integrante de uma estrutura informalmente chamada de A Turma, dedicada à obtenção clandestina de informações sigilosas, ao monitoramento de adversários e a ações de intimidação para proteger os interesses de Vorcaro. Segundo a apuração, o ex-escrivão usava a experiência e os contatos da carreira policial para vigiar alvos como jornalistas, ex-funcionários e outros críticos do banqueiro.
Marilson foi preso em março de 2026 ao lado de Vorcaro, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero — episódio que já havia motivado pedido da defesa do banqueiro ao STF para que a PF revelasse as provas da prisão preventiva.
O ofício da CGU não se limita ao ex-policial: a Controladoria também pede informações sobre servidores do Banco Central e empresas citadas nos autos. A frente administrativa já mostrava sinais de avanço em março, quando a CGU passou a examinar um dossiê do BC que pode resultar na expulsão de servidores apontados como consultores irregulares do Master.