A Polícia Federal afirmou nesta quarta-feira (18) que a CPMI do INSS reinseriu dados do celular de Daniel Vorcaro nos sistemas do Senado — após a própria PF ter cumprido ordem do STF para excluí-los da sala-cofre da comissão.
A reintrodução ocorreu porque a presidência da CPMI acionou diretamente a Apple para reobter os arquivos, gerando novo fluxo de download fora da cadeia de custódia estabelecida judicialmente.
Entre os conteúdos em disputa estão mensagens íntimas trocadas entre Vorcaro e sua ex-noiva, a influenciadora Martha Graeff, cuja defesa denunciou “grave violência” e anunciou estudos para acionar a Justiça.
O episódio tem origem na decisão do ministro André Mendonça, do STF, que na terça-feira (17) determinou que a PF retirasse, copiasse com segurança e excluísse os dados de Vorcaro armazenados nos ambientes técnicos do Senado Federal — ação executada com rigorosos protocolos de cadeia de custódia e integridade probatória.
Na nota divulgada nesta quarta, a PF relatou que, durante a operação, constatou a “reintrodução, no ambiente do Senado Federal, de dados anteriormente excluídos”. A origem: um pedido direto da presidência da CPMI à Apple, que gerou novo download dos arquivos sem controle judicial.
Na segunda-feira, Mendonça havia bloqueado a sala-cofre e proibido o acesso ao material — ordem que a CPMI contornou ao acionar diretamente a empresa norte-americana, segundo a PF. Os fatos foram devidamente relatados ao ministro relator.
Mensagens íntimas no centro da disputa
Já foram identificados no aparelho de Vorcaro mensagens trocadas com Martha Graeff, modelo e influenciadora que foi noiva do banqueiro dono do Banco Master. Os documentos incluem conversas de caráter íntimo entre os dois.
A defesa de Graeff afirmou em nota que a modelo “jamais esteve envolvida em qualquer tipo de ilicitude penal” e não mantém relacionamento com Vorcaro há meses. A nota classifica a situação como “grave violência” e informa que ela estuda acionar a Justiça.
O ministro Gilmar Mendes já havia classificado o tratamento dos dados sigilosos de Vorcaro como “barbárie institucional” — e a conduta identificada pela PF aprofunda o confronto entre o Legislativo e o STF sobre o manuseio do material.
O interesse da CPMI em recuperar os arquivos pode ter motivação direta no conteúdo das mensagens. Nos diálogos com Martha Graeff, Vorcaro teria mencionado encontros com ministros e parlamentares de alto escalão — material que já embasou a convocação de duas comissões parlamentares.
O caso corre nos autos da PET 15.612/DF no STF. A nova ocorrência foi relatada formalmente pela PF ao ministro André Mendonça, que deverá decidir sobre os próximos passos processuais diante da possível desobediência à ordem judicial.
