Política

PF fez mais de 3 operações por dia em 2025 contra abuso sexual infantil na internet

123 vítimas resgatadas, alta de 24%, e ECA Digital em vigor nesta terça: o que muda na proteção de crianças online

A Polícia Federal deflagrou 1.132 operações em 2025 contra crimes cibernéticos de abuso sexual de crianças e adolescentes — média de três ações por dia e avanço de 6% sobre 2024.

As ações resultaram no resgate de 123 vítimas, alta de 24% em relação ao ano anterior, e envolvem casos de produção, armazenamento e compartilhamento de material ilegal com menores em plataformas digitais.

O balanço é divulgado na mesma semana em que o ECA Digital entra em vigor nesta terça-feira (17), criando novas obrigações de proteção a redes sociais e aplicativos.

Crimes com alcance transnacional

Os delitos investigados estão tipificados nos artigos 240 e 241 do ECA, que criminalizam a produção, venda e divulgação de imagens ou vídeos sexuais com menores. Por circularem em plataformas globais e violarem tratados internacionais de proteção à criança, as apurações ficam sob responsabilidade da PF — cujas ações incluem prisões, resgates e cumprimento de mandados de busca e apreensão.

O abuso sexual infantojuvenil concentra 9 em cada 10 operações da corporação contra crimes cibernéticos. Somente em janeiro de 2026, já foram iniciadas 17 novas ações nessa frente.

O crescimento das operações coincide com a entrada em vigor nesta terça-feira do ECA Digital — lei que obriga plataformas a vincular contas de menores a responsáveis e remover conteúdos inadequados, com multas milionárias em caso de descumprimento.

O tamanho real do problema

O volume de casos investigados pela PF ganha dimensão maior quando cruzado com levantamento do Unicef: 1 em cada 5 jovens de 12 a 17 anos sofreu alguma forma de violência sexual mediada por tecnologia — cerca de 3 milhões de crianças no Brasil.

Para Juliana Cunha, diretora da SaferNet Brasil, os dados fazem parte de um cenário ainda mais grave: a organização recebeu cerca de 60 mil denúncias de conteúdos de abuso e exploração sexual apenas em 2025.

O avanço das operações digitais se insere num quadro mais amplo de violência sexual: o Brasil registrou 22.800 estupros coletivos entre 2022 e 2025, com mais de 14 mil vítimas sendo crianças e adolescentes do sexo feminino.

Operações recentes e assimetrias entre estados

Entre as ações de destaque, a Operação Apertem os Cintos prendeu no Aeroporto de Congonhas um ex-piloto de 60 anos investigado por liderar uma rede de exploração de pornografia infantil há pelo menos oito anos. A Polícia Civil de São Paulo identificou sete vítimas em SP e no Espírito Santo, com suspeita de conivência de familiares no aliciamento.

No Piauí, a Operação Carcará 40 resultou na prisão de um homem em Picos, suspeito de produzir e compartilhar material abusivo. Em Duque de Caxias, a Operação Guardiões prendeu uma mulher de 33 anos acusada de abusar das próprias filhas e publicar vídeos na dark web.

Os números por estado revelam assimetrias expressivas. Rondônia, o estado com mais vítimas resgatadas, registrou alta de 148% nas operações — de 23 em 2024 para 57 em 2025. São Paulo liderou em volume absoluto, com 193 ações, mas apresentou queda de 19% em relação ao ano anterior.

Juliana Cunha, da SaferNet, avalia positivamente a mudança de enfoque: além de responsabilizar produtores e consumidores de material abusivo, as operações passaram a priorizar a identificação e o resgate das vítimas.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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